Livros especializados convidam-nos a não ligarmos às birras

18.3.14
Confesso que continuo espantada quando leio, em literatura especializada e actual, que devemos ignorar e deixar a criança fazer a sua birra sozinha e a chorar [estou a falar de birras e não de 'actos terroristas' :) - quem vai aos workshops entende num instante!]

Mais: é na esperança que ela se porte bem e que aprenda, que a deixamos na sua miséria... 

Ora uma criança em estado de 'loop', sobretudo pequenina e com pouco mais de 2 anos tem um controlo emocional muito mais pequeno que o nosso. E quando entra em loop, a única coisa que precisa é que a ajudem a acalmar-se - e isso é o contrário de a deixar sozinha, entregue à sua sorte.


Eu não gosto de discursos totalitários e fujo deles a 7 pés. 
E eu sei que este tema de Educação e Parentalidade Positiva pode soar a Educação Permissiva. A última tem ausência de limites, coisa que esta não tem. 

Na verdade, os limites são muito claros e não há margem para dúvidas. No exemplo que uso acima, estou a falar de gestão emocional. Uma criança pequena pode ficar frustrada porque imaginou que ia encontrar a peça verde do Lego e não encontrou. E desata a chorar como se isso fosse o fim-do-mundo. Ou porque não lhe damos qualquer coisa no supermercado. E porque ela não se consegue acalmar, mesmo quando lhe pedimos que o faça, com ameaças ou subornos, então vamos deixá-la ali, como alguém que só merece a nossa atenção quando ficar calmo? E enquanto isso ela grita, e fica vermelha, e transpira e chora... num espectáculo triste de se ver quando é tão simples, mas tão simples terminar esta birra, pegando-se ao colo e ajudando a criança a acalmar-se, saindo do centro das atenções, por exemplo.Tudo com o máximo de compaixão, firmeza e sabendo que isto faz parte do processo.

Eu sei que estamos a evoluir e por isso isto soa tão mas tão mal!

5 comentários:

  1. Teoria, teoria, não tenho nenhuma... tenho é uma bebé de quase 19 meses que entra num "estado loop" em que fica completamente desesperada e me deixa desesperada sem saber o que fazer :(
    Normalmente é porque está muito cansadinha, mas não há forma de a acalmar... quanto mais me chego ao pé dela e dou miminhos mais esperneia, soluça, etc e tal... se não ligo, continua no desespero :( Estou sem saber o que fazer, e entretanto segundo contam entrei agora neste famoso B World (mundo das birras).
    Procuram-se soluções... :)

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  2. Ainda estou a aprender muito sobre a Parentalidade Positiva. Decidi que este seria o método ideal. Também há quem diga que sou permissiva, mas eu acredito mesmo nisto. Normalmente funciona tirá-lo do foco da atenção, pegá-lo ao colo e acalmá-lo. Não posso dizer que o meu filho seja do tipo de fazer birras num supermercado por exemplo, mas quando acontece é isso que faço. Acalmo-o, e depois de se acalmar tento perceber o porquê do choro e se for o caso, explicar-lhe porque lhe dissemos que não podia fazer/comprar, seja o que for. Ao principio pode parecer que não resulta, mas vai funcionando com o tempo, e até já acontece o contrário, ou seja, quando ele acha que estou nervosa, diz-me que tenha calma e que vai tudo correr bem.

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  3. Magda! Ao segundo/terceiro parágrafo já me estava a lembrar de uma educadora (sim, sim, uma educadora de infância. supostamente com formação nisto de educar crianças) que vi - várias vezes, não foi caso inédito, é método dela - agarrar em crianças em pranto, pô-las na sala ao lado (faixa etária abaixo) e virar costas enquanto dizia "se não pára de chorar como os bebés, vai prá sala dos bebés!" e eu, que não percebo nada disto, só sentia o instinto e o bom senso aos saltos a dizer-me "mas esta pessoa ADULTA estará bem da cabeça? achará ela que é ao deixar a criança sem a sua pessoa de referência, num espaço que não é o seu de referência, enquanto lhe ralha que a acalma e que ela parará de chorar?! e que exemplo dá ela aos mais pequenos que estão na sua sala e vêem irromper por ali dentro uma criança em pranto?" (o meu, que é todo mel, aproximou-se imediatamente da criança a chorar, preocupado e assustadíssimo!)
    quando as nossas crianças ficam entregues a educadoras assim... creio que ainda temos muuuuuuito que evoluir...

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  4. Tu bem sabes o quanto concordo ctg. Tu bem sabes que quanto mais te ouço e/ou leio mais gosto de ti.
    Ainda bem que és mulher, porque assim posso dizer publicamente que gosto tanto de ti que não vai causar ciumes a ninguém. :)
    Beijinhos

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  5. Vivo na Suécia e aqui as crianças fazem as birras que querem, nos locais que querem, e os pais não intervêm. Não gritam, não levantam a voz, não dão palmadinhas (aqui é motivo de queixa na policia se se der uma palmadinha na mão de uma criança... sei de um caso, coitados dos pais). Os pais ignoram simplesmente.

    E o que é certo é que os suecos, adultos, são calmissimos! Demais até! Não fervem em pouca água como nós latinos :P

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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