Se eu tivesse de escolher a coisa que faz toda a diferença na forma como educamos os nossos
filhos, a coisa seria o vínculo. Já aqui
e aqui
escrevi sobre o assunto e hoje volto a ele na forma de brincadeira, mas a falar
muito a sério. Por isso não te vás já embora porque é coisa importante esta que
te vou contar.
Sim, eu sei: tu até podes não gostar de brincar. E tens mais
que fazer quando chegas a casa, no final do dia. E por isso tens de meter na
cabeça que [sobretudo se tens filhos pequenos] eles vão querer mesmo brincar
contigo, quer tenhas tido um dia top ou não. Pois... :)
E por isso hoje deixo-te em tópicos o que tens de saber.
1.
É a brincar que a criança aprende a comunicar, a
experimentar e a conhecer o mundo e as suas dinâmicas. Agora que sabes disto, o
que vais escolher? Brincar ou não brincar?
2.
Brincar é
divertido – vindo de mim é estranho [eu não gosto de brincar]– e eu confesso
que tenho de me lembrar que é – é só começar a participar na brincadeira.
Confia em mim – eu sei disso por experiência – mas sim, tenho mesmo de forçar-me.
3.
Brincar aproxima as pessoas e é das melhores
formas de criar vínculo. E o vínculo é determinante para a parte da autoridade
e obediência porque ninguém obedece se não se sentir lincado ao outro. Ponto
final. Parágrafo.
4.
Brincar ao fazer de conta ajuda a criança a
colocar-se em situações que ela deseja enfrentar e a lidar com os seus medos
[ah pois é, já tinhas pensado nisto?]
5.
Ao brincar estamos a aumentar o vínculo com o
nosso filho e é o vínculo que lhe dá a sensação de segurança e previne algumas
ansiedades.
6.
Ao brincar ajudamos o nosso filho a sentir-se
amado e é uma forma muito rápida e efectiva de responder às necessidade de
pertença, segurança e afecto deles.
7.
A TV é para descansar o corpo e a cabeça.
Brincar é uma coisa física, envolve cabeça e corpo. E não os coloca mais
excitados – au contraire – quando eles ‘exorcisam’ as tensões todas é meio
caminho andado para começarem a desacelerar...
8.
Brincar faz rir e rir juntos é fundamental!
E brincar aos maus e a coisas mais agressivas? E com
pistolas?
Confesso que a ideia de pistolas, assim de repente, me dá
medo mas eu também sei que é fundamental que as crianças experimentem as coisas
para lhes tirar o valor. Na verdade, não há mal em brincar aos maus, não há mal
em jogar com armas a fingir. Porquê? Porque quando proíbimos estamos a passar a
mensagem que é mau sentir raiva, medo e não é mau sentir isso tudo porque faz
parte da vida. Os sentimentos não têm qualquer tipo de moralidade – o que nos
define são as acções e decisões que tomamos. Brincar aos maus faz parte do
crescimento. Sentir raiva e medo também. E é importante que a criança possa
exteriorizar tudo isso enquanto brinca. Ela está também a colocar em uso os
valores que vai adquirindo contigo. O bom e o mau são valores. E ficas com uma
ideia de como é que esses valores têm valor para ela.
E então, vais continuar aí sentada? Junta-te ao teu filho e
entra no mundo dele.