Castigos!

10.2.14


Houve duas leitoras (e amigas) que ouviram o programa da Comercial – Barulho das Luzes – e me enviaram um email a perguntar porque é que eu não respondi a uma questão. A questão tinha a ver com os castigos e com o berrar baixo e eu só respondi à segunda.


A razão pela qual eu não falei sobre castigos tem apenas a ver com o facto de eu não acreditar em castigos. Acredito em consequências, como te expliquei aqui.



E não acredito em castigos porque, pela minha própria natureza e forma se ser, acho que funcionam ao contrário, não ensinam nada e é uma forma muito rápida de se acabar com um problema que estamos a ter, sem que o problema em si seja resolvido. Ou seja, terei de lá voltar novamente.



E porque não acredito em castigos nunca castiguei. Uso as consequências sempre que necessário porque elas têm a ver com a situação em si e ensinam e previnem. Convido-te a ler este post para saberes mais. E, a bem da verdade, é muito mais difícil e muito mais duro fazer uso das consequências do que do castigo.


Acredito que tem tudo a ver com a forma como se vê as coisas e, na verdade, é este o twist que acontece depois dos pais frequentarem os workshops sobre Parentalidade Positiva (onde, entre outras coisas, falamos sobre este assunto, tim-tim por tim-tim).



O twist é que passas a perceber e a ter a noção (o tempo TODO) que o teu filho É uma pessoa que PRECISA da tua orientação. E, como já várias vezes disse, educação não rima com humilhação. E eu vejo o castigo como uma humilhação.


Mais uma vez, a ideia não é ‘ah, não, eu não castigo’ ou ‘ah, nem pensar, eu não bato, não quero bater’. Não é fugir da coisa, fingir-se que não se viu ou evitar-se a palmada ou o ‘ficas sem ver TV uma semana’.


A ideia é ensinar algo e responsabilizar a criança. Logo aqui o foco é completamente diferente. É aqui que acontece o twist! Se queres que ela aprenda com o que fez, então responsabiliza-a pelo comportamento.


Castigar dificilmente resulta no médio e longo prazo (sem dúvida que resulta no curto prazo, mas vai refinando os castigos, caso contrário deixarão de funcionar).

Se partiu a janela de casa, e se tem mesada, qual é o problema em pagar? Não tem? Então vai ajudar a reparar a situação.


Se chumbou a português, que tal se estudar mais um pouco, todos os dias e, depois, ter a recompensa pelo esforço e ir jogar à bola com os amigos no Sábado à tarde? Qual é o problema de deixar fazer aquilo que ele gosta? Estuda E faz as actividades que lhe dão prazer. Não tens de humilhar para conseguires resultados.


É no equilíbrio que vais colher bons resultados.

No Porto, os próximos workshops do Porto vão ser em Miguel Bombarda, nestes dias:

Sábado - 13 de Junho [9h30 - 13h00] - A Questão da Autoridade e da Obediência
Sábado - 20 de Junho [9h30 - 13h00] - A Auto-Estima da Criança

6 comentários:

  1. Gosto bastante de ler o seu blog, e tenho aprendido bastante, apesar de nem sempre conseguir aplicar correctamente as suas ideias. (e infelizmente pra já a ida a um workshop não é financeiramente possível).

    Não defendo o bater, mas também não digo que nunca o fiz a famosa "palmada na fralda" mas o que tenho visto é que realmente no quotidiano não resulta.

    a minha filha tem 2anos, está na fase do questionar tudo, do querer tudo "ito é meu, (isto é meu)" e do crer mandar mais que nós por assim dizer.

    Nós não levamos "a palmada" muito a serio, ate costuma-mos brincar com isso tanto que ela própria quando não lhe fazem a vontade levanta a mão e "ai ai tau tau" ou seja o que tenho observado é exactamente ela não distinguir entre o porque dela levar o "tau tau" e de não dar ao pai por exemplo se não lhe dá o chupa.

    Para crianças com 4 5 anos deverá ser mais facil aplicar "consequências" dos seus actos da forma que disse (e que concordo plenamente) mas como faço isso com uma criança de 2? sendo uma criança extremamente teimosa que não vacila e por muito que respire fundo pegue-lhe nas mãos e explico-lhe ou peço-lhe algo olhos nos olhos ela não "verga" e não vacila (por exemplo quando lhe peço para arrumar os brinquedos que atirou para chao)

    agora tem sido difícil,e eu própria tento me controlar mais a "palmada" porque a vejo a ameaçar tau tau a toda a gente e sinto que é isso erradamente que lhe estou a passar mas também não sei como reverter isso.

    como devemos chegar a uma criança destas idades?

    Obrigada

    Mary

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  2. Mary - simplesmente dizer que não se bate, que doi, tirar a mão, tirá-la do sítio, dizer 'miminho', brincar com a situação ou mostrar que de facto não gostou. Porque é que vai bater quando quer ensinar que não se bate? É um lugar comum mas não faz sentido nenhum!
    Em relação às explicações, explique menos :) e com mais firmeza. Vai ver que tem melhores resultados... :)

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  3. pois o meu problema é exactamente esse! perco a "moral" quando digo que nao se bate quando eu propria faço o mesmo! (por isso gostaria de mudar isso) mas nao sei como mostrar-lhe correctamente quando ela faz algo de errado ou como lhe dou a entender o que tem ou nao tem que fazer!

    se nao se "castiga" nem se "bate" como se educa uma criança de 2 anos que tambem nao interpreta bem o "se nao fizeres isto acontece aquilo" ??

    mary

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  4. Comece por mostrar, por ser o modelo. É fundamental que tenha moralidade para lhe exigir aquilo que faz! Se é apanágio vosso não se fazer algo, não façam. Ponto final.
    Claro q depois há o 'não se mexe na faca'. Mas ela vai mexer quando for mais velha. Diga-lhe isso.
    Finalmente digo-lhe que a filha entende aquilo que lhe pede :) Disso não tenho a menor dúvida mas, como isso não lhe interessa, ela esquece-se ou faz que se esquece. É o papel dela. Não será só feitio - é ela a descobrir o mundo. Ajude-a nessa descoberta :)

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  5. Acho que estava a escrever para mim, quando publicou este texto.
    Para mim na maior parte das vezes é-me muito difícil responsabilizar em vez de castigar... e depois de ter lido o post de que fala fiquei ainda mais consciente de que no caso da minha filha mais nova (5Anos) resulta 5* porque ela já compreende na perfeição quais são as consequências das suas birras e às vezes é mesmo ela a dizer que não se consegue controlar e grita que se farta. Quando eu lhe disse que devia explicar-se e controlar as frustrações ela perguntou logo o que é isso e tentei explicar...
    No caso da mais velha ( idade cronológica 16, idade mental 11) a coisa muda de figura, dá-me a impressão que por vezes nem ouve e tanto se lhe dá eu colocar as ditas opções por ela tudo bem e nem se está para chatear, claro que na hora de cumprir com as consequências a coisa muda de figura e aí "solta a fúria" .
    Posso dizer que estou a terminar a fase de aceitar a minha filha como é, tentar compreendê-la e ajudá-la a crescer, sinto-me mais confiante e o devo a plataformas com esta aqui. Sinto que tenho de trabalhar muito primeiro em mim e depois nela, mas havemos de lá chegar.
    Obrigada

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  6. Olá, Magda. Ouvi falar do seu blog no programa "Barulho das Luzes" e fiquei fascinada. Achei que seria a minha salvação, pois tenho-me sentido muito má mãe, na forma como lido com o meu filho mais velho (faz 4 anos no próximo mês).
    As constantes birras deixam-me fora de mim e não sei como lidar com elas. Não gosto da ideia da palmada e sei que acaba por ser mais uma forma de nós descarregarmos do que outra coisa, mas há alturas em que não consigo mesmo. Falar calmamente e pedir que faça o que estou a mandar não resulta. Chega a contrariar-me de sorriso na cara e, com esta idade, não sei como interpretar isto, a não ser como desafio...
    Há alturas em que me sinto muito perdida.
    Obrigada.
    Sílvia.

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