A questão dos limites, visto de outra forma [dá-lhes uma mão e eles tomam-te o braço]

12.2.14
No outro dia ouvi uma senhora a dizer que 'comigo os meus piam fininho. A gente dá-lhes uma mão e eles querem logo o braço! Era o que faltava'.

Possivelmente o que aconteceu foi que esta pessoa recebeu niquinhos em termos de afectos... e não sabe, ou não quer ou não tem como dar mais. E se ela percebesse que a linguagem do amor é muito mais poderosa, ela perceberia que não tem de ter medo de dar porque ninguém lhe vai arrancar seja o que for. É de ficar de boca aberta com estes relatos porque, na verdade, eles apenas demonstram que quem tem esta necessidade de se defender [é disto que se trata - defesa] tem medo de perder... Fiz-me entender?

14 comentários:

  1. Perfeitamente. O amor é, de facto, uma arma poderosa. Ultimamente, tenho pensado muito na minha relação com a minha mãe. Nunca foi uma relação afectiva, ainda por cima, fui criada pela minha avó, mas é uma eterna demanda por afecto que, à partida, quando nascemos, pensamos que é um direito nosso. Mas lá está: a minha mãe não teve uma infância e adolescência onde o amor parental fosse cultivado.

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  2. Sim, é a outra versão do comportamento gera comportamento e aplica-se a tudo. Também aos nossos filhões ehehe
    Se damos muito muito muito, recebemos tambem muito muito muito.
    E quando dizemos "hoje não", eles (com mais ou menos dificuldade consoante a firmeza dos naos que dizemos) tambem respeitam esse "nao".
    Obrigada magda, pela tua generosa partilha

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  3. Oh, Magda, a cada post eu fico mais "viciada" nas suas palavras! Tudo faz sentido, desperta-nos para o obvio que nem sempre nos salta à vista, mostra-nos a realidade sem floreados ou termos que apenas os especialistas entendem.
    É de uma pessoa apaixonar-se por este blog...

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    1. Que bonito! Nunca ninguém me disse isto :) Obrigada!

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    2. Mas completamente apaixonada mesmo ;) E não é daquelas paixões que passam, sinto que é amor para a vida. E já nem me lembro muito bem quando e como cá vi parar mas já cá venho há muito e tão bem que me sabe e me serve enquanto mãe da maior riqueza da minha vida há 25 meses.

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  4. "E se ela percebe-se;" *percebesse
    Odeio fazer este papel de parvinha do português, mas incomoda-me muito que as pessoas não saibam escrever, principalmente quando são pessoas que se dedicam à escrita.
    uma dica para corrigir este erro...quando usa o "-", experimente por o "se" antes do verbo (como fazem os brasileiros...), se soar correto, é porque é "percebe-se" se não é porque é "percebesse". Neste caso... "e se ela se percebe que a linguagem..." (pode até ler em sotaque brasileiro quando fizer este exercício) :)
    às vezes acho-a demasiado fantasiosa...nem tanto ao ar nem tanto à terra (e eu continuo a achar que as crianças têm um grande peso naquilo que conseguimos, há miudos com os quais conseguimos por em prática o que diz e sair felizes e outros nem tanto); mas dá-me segurança lê-la, não sentir que "só estrago" os meus filhos...porque lá no fundo miminhos não estragam.

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    1. eu não acho parvinha do português e também me incomoda ver erros. Mas lá está, errar é humano e eu confesso que nem sempre releio, em condições, o que escrevo. Obrigada pela sugestão, é a que uso mas, como não reli, passou. Estou perdoada?
      sem dúvida, conseguimos mais com uns miúdos do que com outros, tal como com adultos. Acho interessante a sua observação do fantasiosa - se quiser enviar-me um email a explicar como é que eu faço para ser fantasiosa, agradeço. Vai ajudar-me a melhorar - porque se há algo que eu procuro sempre fazer, na minha escrita é que ela seja muito concreta, real e objectiva!
      Magda

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  5. Infelizmente dou por mim a ouvir esses comentários demasiadas vezes. As pessoas acham que se pode dar afecto contado, porque carinho estraga!? Não conseguem ver que o que estraga é a falta de carinho e de limites claros.
    Eu cá por casa dou a mão, o braço, e tudo o resto, no que respeita a a carinho. Quando chegar a hora espero dar também limites claros e não comprar as lutas todas, só as que realmente valem a pena.

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  6. Bom...espero não dar nenhum erro ortográfico...medo!
    Lá por casa eu tambem dou a mão, braço, perna...dou tudo o que tenho e mais qualquer coisa. O meu marido ora me acha demasiado ''severa'' ou que ''dou e faço tudo e + alguma coisa''.
    Eu acho que sou simplesmente humana e que ajo por instinto de acordo com os meus valores, educação e crenças. E tambem que acho que há dias e dias, situações e situações... momentos para sermos menos permissivos e momentos para nos derretermos e enchermos de mimos.
    Digam o que disserem...eu vou continuar a ficar 5' a fazer festinhas para ele adormecer, vou ajudá-lo a sair do carro, vou-lhe buscar uma bolacha porque ele hoje esta + preguiçoso (qdo merece, claro!), lavar-lhe os dentes quando esta com mais sono... porque qualquer dia é ele que já não quer...e ai sim, vai-me custar.
    Não concordo com o limitar, para eles não abusarem... há que educar e assim eles aprenderão onde ficam os limites...mas sempre com muito amor e mimos...

    Aida Ribeiro

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  7. Olá Magda,
    Vou ter que discordar pois acho que a frase dar uma mão e quererem o braço não se aplica ao amor, pois nesse caso dou logo o corpo inteiro :-). Também eu por vezes aplico esta máxima, não só com crianças mas também com adultos e vou já dar-te um exemplo, com os meus filhos, «meninos hoje portaram-se bem e como tal vamos brincar mais um bocadinho» «oh mãe e podemos adormecer na tua cama e contas 2 histórias?» -« puxa, a gente dá-vos uma mão e vocês querem logo o braço inteiro». Fiz-me entender?
    Beijinhos Joana

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    1. Olá Joana,
      fez-se entender, sim senhora :)
      E agora vou provocá-la um bocadinho, posso?
      Se eles pedem é pq precisam de estar mais tempo consigo. E aproveitam a sua abertura para pedir para encherem mais um bocadinho o copo dos afetos deles. Eles não querem so o braço. Eles querem a mãe toda. É o que eles estão a pedir!
      :)
      um beijinho!

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  8. Parabéns pelo excelente trabalho. Nem de propósito, li hoje um artigo acerca do poder do abraço! E infelizmente, na atarefada rotina do dia a dia muitos de nós se esquecem, que sim, somos pais, sim, temos que educar futuros adultos responsáveis. Mas na minha humilde opinião (e atitude de mãe de um menino a atravessar os "terrible 2", concordo a 100% consigo. A austeridade, a distância afetiva, o suposto respeito que se impunha em gerações anteriores em nada beneficia os miúdos. E por isso, todos os dias elogio, abraço, encho de beijos e de mimos o meu filho. Porque também sei, que quando chegar a hora de repreender e educar, isto pode ser feito com muito amor, com muito carinho e sem rudeza.
    CC

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  9. Posso só fazer uma pergunta? Então o que por definição são crianças mimadas?
    Eu acho que a senhora com esse comentário quis dizer é que mimos podem ser em excesso, quando estes se põem à frente das regras, dos limites, etc. como vejo alguns pais fazerem...Depois queixam-se que as crianças não obedecem e afins...Acho que mimos e afetos nunca são em demasia, mas tendo sempre em atenção ao contexto em que os damos.
    Será talvez isto? Não sei...

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    1. Sim, é isso. Mimo tem uma conotação má, de vez em quando. Mimo e afetos não estraga. O que estraga é a nossa dificuldade em colocar limites claros.

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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