O amor incondicional existe ou é uma forma de te fazer sentir culpad@?

7.1.14


Há por aí uma corrente ou filosofia que diz que temos de amar incondicionalmente os nossos filhos.

- 'E se eu só os amar muito quando eles cooperam e não me viram a vida do avesso com birras, gritos, embaraços e frustrações, serei má mãe? Eu gosto deles, mas gosto mais nessas situações...Há algum problema?'
- 'Esta cena do amor incondicional é de propósito para me fazer sentir culpad@?'
- 'Se toda a gente diz que ama incondicionalmente os filhos, então é melhor que eu diga que "eu também", caso contrário vão achar que não tenho coração e que não gosto dos meus filhos como eles são?'

Afinal de contas, o que é que tem de tão importante esse amor incondicional?

Não tem nada de importante porque não é apenas o que tu sentes no teu coração que é importante. O mais importante é como é que tu traduzes isso por palavras e acções.
O chato da tal dita 'corrente' do amor incondicional é que pode formar pais permissivos

O que é que eu quero dizer com isto? 
Quero dizer que, com medo de magoar os pequeninos, com medo de estarmos a impor uma vontade nossa, vamos estar a aceitar situações que não podem ser aceitáveis e vamos passar a permitir tudo. Só por causa desse tal dito amor incondicional.

Vamos lá falar verdade: nós somos todos mais felizes quando não nos complicam a vida, certo?

Então, quando o meu filho me diz que quer ver mais um desenho animado 
'Só mais um...'
e eu digo
'Pronto, só mais um'
mas na verdade quero é que ele vá dormir para eu puder ver o meu filme sossegada, o que é que pode estar a acontecer nesta cena?

Pode estar a acontecer que eu me sinta culpada por estar a tirar-lhe o prazer de ver mais um desenho animado e de estar comigo mais um pouco. 
E então digo-lhe 

'Querido, depois deste, vamos dormir, pode ser?'
(sim, pode ser, vá lá, diz que sim... !)

E este 'querido' é forte porque na verdade pode não ser sincero. E sabes que mais? Os miúdos sentem esta incoerência no discurso porque 'a cara não bate com a careta'. 
E o que é que acontece? Acontece que, aos poucos, a nossa credibilidade começa a vir por ali abaixo. Devagar, devagarinho, mas começa.

Qual é o problema em dizer aos filhos
'Ó pá, por hoje já chega. Sinceramente, já estou cansadinha de vos aturar! Agora: cama!
Ou então dizer:
'Siga, vão brincar a outra coisa qualquer', quando isto é verdade e é genuíno e sim, estive mesmo a brincar com eles, empenhada mas já chega! Qual é o problema? 
Nenhum! 
Acredito que esta sinceridade ajuda a que os filhos possam cooperar mais e olhem para os pais não como deuses mas como seres humanos genuínos e com quem dá vontade estar. 
Por isso, com amor incondicional ou sem amor incondicional, o que interessa é que possamos passar-lhes uma série de ensinamentos para serem seres humanos que façam o bem e que sejam felizes. 

Quem se importa com amor incondicional que gera sentimentos de culpa? 

10 comentários:

  1. Ora bem....pois que concordo!
    Amo...incondicionalmente o meu filho!! SIM!!
    mas........ oh moço....tem calma e vai lá tu brincar um bocadinho com os bonecos...ou carrinhos e por aí...
    não me faz amar mais ou menos.. AMO, mas faz parte certo?
    Bjos :)

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  2. Na minha opinião, são duas coisas distintas.
    Uma coisa é o amor "condicional", que sentimos por eles. Outra coisa é educar, que pode fazer que eles por momentos nos odeiem até. Quem não se lembra de pensar que detestava os pais? ou que a vida era injusta? ou que, como a minha filha de 4 anos me disse ainda ontem. Que eu não queria a sorte dela, porque a minha irmã deixa os filhos adormecer a ver desenhos animados, e eu não. Disse que não gostava de mim. Eu adoro os meus pais, e ouvi não,fui contrariada, castigada, muitas vezes. E acho que sou uma pessoa melhor por isso.


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  3. Esta questão do amor por um filho tem-me assaltado a mente mais recentemente quando pensámos em ter um segundo filho... Estupidez, disparate ou palermice, a verdade é que começo a ficar angustiada quando penso se não conseguirei amar tanto outro filho como amo o que tenho atualmente... neste momento sinto-me muito grata, muito preenchida, muito realizada e muito feliz com o meu filho porque o vejo e sinto como extraordinário! E se com o que vier depois não for assim? E se eu não gostar tanto dele como gosto deste? (Porque acho impensável ficar aquém dessa minha "obrigação" como mãe) E pior é o meu receio de que este meu filho se sinta trocado e magoado... e confesso, angustia-me bastante esta questão....

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    1. Pode ver a situação noutra perspetiva: gosto tanto dele que tenho de lhe dar um irmão!...

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  4. Amar incondicionalmente, para mim, significa caminhar lado a lado, para o bem e para o mal. Claro que sentimos culpa por aqueles momentos menos agradáveis que, eventualmente, proporcionamos aos nossos filhos, quando é necessário impormos a nossa opinião ou mesmo exercer autoridade sobre eles. Mas é também desta forma que eles aprendem a pensar nos seus atos e a corrigirem os seus erros, tal como nós! Eles também nos amam incondicionalmente e são os primeiros a demonstrá-lo de variadíssimas formas. O que deverá fazer parte da essência deste amor é o saber perdoar incondicionalmente quando se erra e penalizar incondicionalmente quando necessário, assumindo os próprios erros, sem que se perca a razão e a dignidade. Afinal somos todos incondicionalmente humanos:)
    Rosa Lima Barreto

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  5. Obrigada por este texto. Há momentos em que a minha filha faz algo que me incomoda e dou comigo a sentir-me momentaneamente desiludida com ela. E isso faz-me sentir horrível, porque é como se ao sentir-me assim a estivesse a amar menos...quando não é disso que se trata.

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  6. amor incondicional não nos exclui de educar e isso implica eles perceberem que não são os únicos seres ao cimo da terra - comentando o teu exemplo - deverão entender que os pais tb são gente e precisam de descansar e querem fazê-lo a ver tv. tem que haver para todos

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  7. Desde já, informo que este comentário poderá ferir suscetibilidades, principalmente das mães que ainda não passaram pela fase da adolescência dos filhos. Aqui vai: adoro os meus filhos mas nem sempre gosto deles!...Pronto. Está dito! Mas já agora deixem-me dizer-vos que não estou sozinha neste desabafo. Este vídeo irá contextualizar-vos: https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/1436de978fca5db9?projector=1

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    Respostas
    1. Lúcia, o link do vídeo não veio em condições. Pode reenviar, pf.
      Beijinhos

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    2. Aqui está de novo o link, mas, no caso de não ser possível a visualização desta forma, poderão ir diretamente ao youtube e ver o vídeo de Tim Hawkings com o título "Ungrateful kids": www.youtube.com/watch?v=qunmtzN8pcg
      Abraço. Lúcia

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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