Elogiar uma criança é meio caminho andado para se criar uma criança insegura

22.1.14


Foi no ano passado que lancei o workshop de Auto-Estima.

Este workshop de meio dia aborda a questão da Auto-Estima por vários ângulos. E uma das coisas que ficas logo a saber é que quanto mais elogiares os teus filhos, mais depressa estás a torná-los crianças inseguras. 

Parece um paradoxo mas não é. É que essas crianças vão passar a depender de estímulos externos e não se vão mexer porque querem ou porque sim. Vão fazê-lo para ouvirem o 'boa, meu filho, que bem! És o maior'. 
Elogiar não é mau. É como o sal. Pouco sabe a pouco em excesso estraga. É mais ou menos isto, a bem da verdade.

É curioso que quem esteve no workshop em Novembro enviou-me este link.
O link fala-te exactamente do que eu escrevi acima.E é óptimo ver que mais gente partilha e vês as coisas desta forma.

Há pouco mais de um ano escrevi este post. E nele refiro-me justamente aos elogios vazios e sem sentido nenhum que temos por hábito fazer. Eu sei que não é por mal. É porque sentimos que em pequenos não fomos suficientemente elogiados. Ou então porque estamos em piloto automático. Por vários motivos.

Quando a tua filha chega ao pé de ti e diz ‘olha mamã o meu desenho’ e tu dizes ‘ah que giro!’ a um monte de riscos... então a questão é 

‘Oi? O que  foi isso?’ Adicionaste alguma coisa? É que dizer por dizer não vale a pena. A segunda questão que me surge é ‘gostas de ver um monte de riscos num papel?’ Eu não! Se gostas então disseste bem dito. Se não gostas... não digas! Pergunta-lhe o que é está ali naquele papel, se gosta de desenhar, se se diverte ao fazê-lo. Dá conteúdo às coisas.

Se continuas a dizer ‘boa, que giro’, esse ‘boa!’ vai deixar de ter significado. E vai deixar de ter siginificado nos momentos bons, naqueles em que de facto há uma coisa boa para sublinhar!

Não! Não estou a dizer para deixares de dizer. Estou a dizer para pensares no que dizes. Não é só porque nos dizem que é importante darmos feedback positivo e estrelas and so on que o devemos fazer a torto e a direito.

Quando os miúdos se portam bem podes simplesmente dizer ‘olha, adorei o nosso jantar! Hoje até nos rimos muito e foi bom porque eu estive calma e tu comeste a sopa toda’.
Não estás a dizer ‘boa!’ mas estás a reforçar a ideia de um comportamento que se deseja que se repita. Tal e qual. O ‘boa’ é vago, não diz nada! Percebes?

É que sempre que oiço alguém dizer ‘lindo menino’ a resposta que penso que vem logo a seguir é ‘Au au!’.

Vale a pena pensar nisto!


Fazer um elogio bem feito, com sentido e conteúdo e que adicione aprende-se. Eu não lhe chamo elogio mas pelo menos sei que vai adicionar alguma coisa de valor. E isso sim, é que interessa, não te parece?

2 comentários:

  1. Obrigada por partilhar o link do meu blog. Só para alertar que tem um erro no texto "E é óptimo ver que mais gente partilha e vês (vê - tem um s a mais) as coisas desta forma."

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  2. Já conhecia o link. Li-o à alguns meses. Falei aqui com o pai e todos estamos de acordo: elogiar o processo é mais "lucrativo" para a criança que elogiar o resultado final. Mas não é fácil! Às vezes dou por mim a dizer-lhe "Boa! Muito bem, filho!" quando encaixa uma peça no sítio certo, mas tento também elogiá-lo quando não consegue, mas insiste em tentar. E quando desiste, tento incentivá-lo a continuar a tentar. Mas por vezes, e acho que isso é o mais difícil, não me apercebo das situações por esse ponto de vista, mais "afastado".

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