Guest Post # E os filhos dos outros

17.12.13
O João Moreira Pinto é já um habitué neste blogue. E, como sempre, é um prazer ler os seus pensamentos. Neste guest post o desafio é o mesmo, sempre: quem serão os teus filhos daqui a 20 anos e o que é que fazes, todos os dias, para lá chegares.

Podes ler o João no seu blogue E os filhos dos outros - dos blogues mais úteis porque é escrito por um pai que também é cirurgião pediátrico. Muito obrigada, João!

O que são os teus filhos daqui a 20 anos? E o que fazes todos os dias para serem mais felizes?



Estes desafios estão cada vez mais difíceis. Sei lá como serão os meus filhos daqui a 20 anos! O JM terá 23 anos e o MM 20 (quase 21). Se não me falham as contas, eles estarão algures na faculdade, se é que ainda se vão chamar assim daqui a 20 anos. Do pouco que imagino dos meus filhos daqui a 20 anos, imagino-os a fazer estudos superiores. Duvido que a sua curiosidade se esgote com o final do ensino obrigatório. Apesar de não fazer ideia o que cada um escolherá como profissão, acho que, daqui a 20 anos, ambos estarão a estudar. Imagino-os atarefados entre o estudo, as namoradas, a praia, a banda de música, um ou outro projecto comunitário. Imagino-os a fazer mil e uma coisas, com a paixão de quem gosta do que faz. E esta seria talvez a chave do futuro (imaginado) dos meus filhos: serem felizes.Um lugar comum, mas que é também o objectivo último de um pai (ou de uma mãe). Fazer crescer crianças felizes.

O que me faz entrar na segunda pergunta do desafio: o que faço todos os dias para que o JM e MM sejam felizes. Hoje é fácil: o MM é feliz com qualquer pedaço de qualquer comida na mão; o JM é feliz a rebolar com a Mãe ou com o pai pelo tapete da sala, seja às ‘lutas de carros’, aos tiros, às naves espaciais, ao futebol de sala (em oposição ao futebol de salão). O verdadeiro desafio na educação parental é mantê-los felizes, ou melhor, educá-los de forma a eles próprios procurarem a sua felicidade. Na verdade, a felicidade não é um conceito estático, nem tão pouco uma conceito universal. Como pai, gostaria de saber transmitir aos meus filhos que a felicidade não é ter carros de alta cilindrada, telemóvel de última geração, roupa de marca, mas pode até ser. Ou seja, o que não me faz feliz a mim, pode fazê-los a eles. Eu gosto de praia, sol, areia, mar, surf; eles podem gostar de coisas diferentes, mais ou menos materiais. O que me importa como pai, é que eles procurem a sua própria felicidade.

Por outro lado, o que nos faz felizes hoje, pode não chegar para amanhã. Hoje contentamo-nos com uma boa assistência médica nos nossos hospitais, com uma sensação genérica de justiça social, com o ensino de qualidade do nosso País e isto faz-nos felizes, mas amanhã quero mais: que menos velhos morram esquecidos, haja mais emprego e que outros País ‘sofram’ das nossas maleitas: água canalizada, saúde infantil para todos, entre outras modernidades que por vezes subvalorizamos. E, quando estes objectivos forem atingidos, outros se seguirão. A felicidade é uma busca constante que nos faz crescer enquanto indivíduos e nos faz evoluir enquanto sociedade.


Na prática, para que cresçam felizes, esforço-me todos os dias por lhes retribuir todo o Amor que me dão, responder todas as perguntas curiosas que me lançam, mostrar-lhes tantas coisas bonitas e apaixonantes que nos enchem a Vida quanto sei e posso. Espero que resulte.

1 comentário:

  1. Felicidade e equilíbrio! De facto é o mais importante :) e saúde acima de tudo. Depois é juntar muito amor e de certeza que crescem felizes.

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