Guest Post : O Rei vai Nú

11.10.13
A Pólo Norte já se tinha referido a ela como alguém alguém um bocadinho irritante. Porquê? Porque é tão gira, tão simpática e não tem mesmo a mania. E eu digo o mesmo! E é com muito orgulho que o Guest Post de hoje é da doce Olga, do Rei vai Nú! 






Quando converso, seja pessoalmente ou profissionalmente, com grávidas ou mães, um dos alertas que gosto de fazer é do quanto a maternidade pode ser desafiante, e que o mito cor-de-rosa e o amor incondicional não são verdades absolutas. Sou pessimista? De forma alguma, mas sinceramente não vejo problema algum nas dificuldades que a maravilhosa experiência da maternidade carrega, muito pelo contrário. 

Quantas mães é que já não se emocionaram cada vez que olham para os seus filhos?  Quantas é que já se perguntaram a si próprias se serão capazes de amá-los o suficiente ou se terão amor que dê para todos? Quantas é que já não tiveram vontade de correr pela rua feitas loucas de tanto stress ou deram graças aos céus porque alguém se ofereceu para passarem uma tarde com eles? Eu sou uma delas! Parabéns a mim e a todas, este é o mundo real! E não seremos menos mães por isso, nem os nossos filhos nos vão odiar.

Estes sentimentos são normais, muito mais do que imaginamos. E porque é que a amiga, que tem gémeos  nunca comentou isto? Porque é que as outras mães parecem sempre tranquilas, realizadas e pacientes? A maioria das mulheres não consegue reconhecer que o melhor momento das suas vidas está ligado aos seus maiores desafios, a cultura de que as mulheres têm que abdicar de tudo com um sorriso nos lábios gera muita culpa. E é difícil assumir estes sentimentos, admitir que nem tudo são flores, que existem muitos espinhos, e que no fundo eles são muito importantes e necessários. Qual seria o nosso mérito se fosse tudo tranquilo e perfeito? Se o bebé viesse com legenda, manual de instruções, comando e botão on/off? Se a nossa vida continuasse intacta?

A beleza da maternidade está em nos conseguirmos superar, em nos reinventarmos, em sermos bonitas mesmo com a barriga que continua após o parto, as estrias, as olheiras e tudo, e tudo, e tudo,...  e é possível ser feliz sem ir ao spa todas semanas, juro que é! E depois, eles crescem, ficam independentes mesmo antes de conseguirmos voltar à rotina, tudo se ajeita, e a nossa vida, mesmo que não seja a mesma, volta a ter tempo para nós, para namorar, ir beber um copo com as amigas ou simplesmente fazer xixi sem alguém por perto!

A verdade é que ser mãe é como um jogo de computador, cada fase é mais difícil, mas o prémio também é maior. Ah, e eles são tantos, vale mesmo muito a pena cada obstáculo, cada monstro derrubado, dentro e fora de nós.
Ter a oportunidade de criar alguém que pode fazer diferença neste mundo, amar alguém pelo simples facto de existir, de aprendermos com isso. Aliás, eu achava que seria mãe apenas para ensinar,  mas  descobri (e muito rápido) que sou mãe também para aprender, comigo e com eles, todos os dias. Sentir orgulho em mim e neles, aprender a trabalhar as minhas frustrações, os meus medos, ser mãe é das maiores lições de vida. Escolher o que ensinar, como programar a vida para serem boas pessoas, passar bons valores e, acima de tudo, para serem felizes, e isso, por vezes, faz-me sentir como se eu fosse um ourives a lapidar minuciosamente uma jóia deveras preciosa ou um autor a escrever um livro, mesmo sabendo que eles podem mudar a história. 

Aprender também implica reciclar conhecimentos e procurar noutros fonte para saciar esta sede. Embora a minha profissão já me tenha dado uma grande vantagem no caminho a percorrer pela maternidade, decidi que também eu posso (e devo) estar do outro lado. Naquele em que posso ser ouvida, que existe alguém que me escuta e me guia. Por isso, escolhi fazer um dos workshops da Magda e se já tinha uma ideia pré-concebida de como seria e se iria gostar, essa ideia só veio a ser reforçada, não só pelo conteúdo, pelo que reciclei, aprendi e me foi transmitido mas, acima de tudo, pela forma como foi transmitido e, principalmente, pela pessoa. Existem muitas formas de falar sobre a mesma coisa, mas poucas são as que têm o dom de conseguir comunicar e passar a mensagem de forma clara, e fazer com que ela assente e lá fique. A Magda tem esse dom! Confesso que até fiquei com uma certa inveja (sem maldade) e a pensar, que bom! Que bom que é existir aqui o melhor dos dois mundos! O de aprender, receber informação, dicas e orientações tão boas sobre temas que têm na minha vida um papel tão importante e ao mesmo tempo receber de alguém que tem uma energia e capacidade de comunicar fantásticas,



Quando a Magda me perguntou o que tinha achado e se havia alguma coisa, na minha opinião, que poderia ser mudada, o que lhe respondi foi isto: “Olha, para ser sincera eu achei o workshop muito bom e já estive a pensar em coisas que podes melhorar. O sítio é agradável, se pode ser outro mais bonito e melhor? Pode! Relativamente ao manual, tem lá a informação que é necessária e é óptimo ser versão de bolso. Se podia melhorar? Podia! Mas o que acho mesmo importante és tu. A forma como passas a mensagem e o que pretendes comunicar. Achas que chega às pessoas? Achas que elas ouviram e interiorizaram a informação? Eu diria que sim. É que efectivamente tu tens uma coisa muito boa, e que é isso que importa. Tu tens uma capacidade de comunicar fantástica. A forma como falas, a entoação, as paragens, a linguagem não verbal,... é mesmo muito cativante e nada aborrecido. E isso é o fundamental. O sítio podia ser o melhor, o manual podia estar todo xpto, poderíamos ter tido os melhores gifts, etc, etc... mas nada disso compensaria se não conseguisses comunicar e passar a mensagem. Certo?”



Os workshops de Outono, no Porto e em Lisboa estão encerrados.

5 comentários:

  1. Magda, pela milésima x...parabens pelo blog...adoro!
    Realmente ser Mãe é mesmo isto... felizmente tenho um grupo de 5 amigas maravilhosas (só uma é que não é mãe) e nenhuma delas é...''tranquila, realizada e paciente''... falamos e desabafamos de tudo...até quando apetece dá-los para adpção.
    Adorei o texto...mais um blog que concerteza vou passar a seguir.
    E tenho uma novidade...vem ai uma menina para se juntar ao Mateus!
    Aida Ribeiro

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    Respostas
    1. PARABÉNS, Aida! Que maravilha! Tudo a correr bem! Dê, news! Beijinhos!

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  2. Adorei ler e rever-me nas palavras da Olga.
    Realmente a maternidade mostra o melhor e o pior de nós. Costumo dizer que desde que fui mãe fiquei mais egoísta, ponho-me a mim e ao meu rebento primeiro, obviamente o pai tb. As restantes pessoas têm de "esperar". Isso já me trouxe dissabores, chatices familiares, mas não me importei e continuei na minha.
    O workshop da Magda veio complementar muito a minha visão e prática como educadora, como mãe. Fiquei muito mais serena pois percebi que todos passados pelo mesmo, no geral, que há boas ferramentas que nos ajudam a acalmar, a saber como pensar e como agir. Todos os dias tenho provas disso quando estou com o pequenino e coloco as coisas em prática. FUNCIONAM, caramba.
    Concluo que, no geral, o ser mãe é o melhor emprego do mundo, onde impera o amor!
    Felicidades para as duas. :)
    Obrigada por estes momentos de leitura prazerosa.

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  3. Obrigada pelas suas palavras, fico mais tranquila, de saber que não sou a única!
    Joana

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  4. Realmente os blogs foram uma invenção fantastica. Que sorte que nós temos em poder ler-vos diariamente. Adorava poder conhecer as duas pessoalmente. Um gde bj de Quem vos segue religiosamente.
    Inês Oliveira

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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