A questão da autoridade na sala de aula

23.9.13



Para a maior parte de nós, a escolha da escola é um momento de difícil decisão, sobretudo quando se tem a possibilidade de optar... Para outros é o ‘seja o que deus quiser.’

Mas o mais importante não é apenas o ambiente da escola. O mais importante é quem está dentro da sala.  E, depois de ter falado com algumas pessoas sobre o assunto, com profissionais de hoje, de ontem e mães de hoje e de ontem, confirmo as ideias que tinha há uns tempos: quem manda na sala de aula é o professor mas alguns professores têm medo de exercer a autoridade por causa de pais que não sabem onde é o seu lugar. 

Senhores professores: que não haja dúvidas ou medos. Quem manda na sua sala é o professor. E se dúvidas ou medos houver é porque o professor não está certo da sua autoridade nem do que está ali a fazer. Repito: o professor lidera dentro da sala de aula. Ponto final.

[parece-me contudo compreensível e muito aceitável que os pais que sentem a insegurança ou a inadequação do professor, metam a sua colher e queiram saber mais. A propósito vale a pena ler este post da Calita!]

Se sabe o que está a fazer, qual é a sua missão, os objectivos, então sabe levar os alunos com ele. E os pais, também. Exigência na sala de aula devia ser obrigatório. Não há necessidade de castigar ou de humilhar. Mas há uma enorme necessidade de pedir aos miúdos para cumprirem com o que lhes é pedido. E se os pais, por um motivo ou outro não sabem exigir então é possível que os miúdos esperneiem na escola. Aos pais compete pedirem aos filhos para fazerem o que o professor pede na sala de aula quando, é lógico,  aquilo que ele pede é justo e fundamental para o crescimento da criança. E eu quero acreditar que é isto que o professor pede.

Mas o caos está instalado e já nem pais nem professores se ajudam. É bom falar mal, é bom falar na incompetência destes e daqueles e esquecemo-nos todos que estamos do mesmo lado da questão e que cada um de nós, pais e professores, temos como objectivos educar e ensinar, respectivamente. Mas é tão bom haver um bode espiatório...

Tenho muito receio de professores subservientes. Que pedem desculpa por não conseguirem falar mais alto. Que pedem desculpa por tudo e por nada. Que não são afirmativos. Que, para estarem sempre do lado dos pais, e nunca contra, usam um discurso pantanoso, que tanto dar para ir para a direita ou para a esquerda. Que hoje dizem A e amanhã já dizem que disseram B. Eu sei, já o escrevi AQUI, a profissão é das mais instáveis e das mais sérias. Mas se isso te faz pôr em causa a tua opinião, a forma como vês as coisas, então valerá a pena passares em revista quem és tu e o teu carácter. Repito: se sabes o que é suposto fazer, se sabes onde é que tens de levar os miúdos que estão na tua sala de aula, então porque raio tens medo?
Eu quero para os meus filhos um professor que saiba o que faz e quem é dentro da sala. Eu quero um professor que me chame à atenção se continuamente a minha filha chega atrasada à escola porque eu me atraso de manhã. Sem medos! É uma regra para o bom funcionamento? Então porque é que eu tenho direito a excepções? Porque sou simpática? Fala sério, professor! E sem medos.

Confirmei que os professores não têm cadeiras de liderança. Ora bolas, uma função que tem tanto disto e ninguém ensina este grupo de profissionais?
E formação em comunicação? Sim, todos os dias falas para os teus alunos, com os pais deles e nunca aprendeste nada sobre comunicar para grupos? Em estratégias para lidar com os conflitos?

Mas estás à espera que te paguem estas acções porque as coisas estão difíceis... Eu percebo, claro. Provavelmente, o tempo e os recursos poderiam ser melhor aproveitados. Sim, é possível. Mas pensa nisso: em fazeres uma formação em competências comunicacionais e de gestão de conflitos. Há por aí ainda muita formação financiada nestas áreas e sais a ganhar: enquanto profissional e pessoa.


Mas que não te restem dúvidas: tu és autoridade dentro da sala de aula. E só acontece o que tu permitires que aconteça. Ou seja, um pai ou uma mãe mandam na tua sala apenas quando não és afirmativ@, quando tens dúvidas em relação ao teu papel ou não sabes bem o que andas a fazer. Mas se isto estiver bem coberto, então podes ter a certeza que tu mandas. E que cada macaquinho estará de volta para o seu galho. E podes ter isto tudo a sorrir antes do Natal, a ser simpatic@ com os pais e a brincar com os miúdos. Lá está, se apenas souberes como...

4 comentários:

  1. Mas que grandes verdades Mum!
    eu falo como professora: nunca tive um problema dentro da minha sala que tivesse que ser resolvido fora dela.
    Uma das primeiras coisas que digo aos meus alunos no inicio do ano lectivo é precisamente isso: quem manda aqui sou eu! Explico-lhes logo que não pretendo gritar (até porque se eles não podem gritar, que moral teria eu se fizesse o mesmo?) nem pretendo castigar, pois parto do pressuposto que eles, meninos e meninas bem educados, sabem como se deve estar dentro da sala de aula e sabem que se devem respeitar uns aos outros e a mim, professora e pessoa mais velha. Dito isto, a maioria deles percebe que, se todos nos respeitarmos, as aulas vão correr bem!...E resulta! Claro que, pontualmente, tenho uns xico-espertos que pensam ser mais que os outros, mas resolvo a situação ali, no momento, com eles e dentro da sala de aulas.
    Claro que algumas crianças não têm regras em casa e isso nota-se logo dentro da sala de aulas. Também há pais que pensam que os seus filhos são incapazes de fazer mal ou ser mal educados, mas na realidade, não passam tempo suficiente com eles para os conhecerem bem... e também, há professores, que por cansaço, por falta de coragem, ou simplesmente porque são assim mesmo, que não querem ou não conseguem fazer-se respeitar dentro da sala de aula!
    Enfim, se as partes da equação comunicassem entre si, era tudo bem mais fácil!
    beijinhos da costa alentejana, Xana

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  2. Mas que grandes verdades Mum!
    eu falo como professora: nunca tive um problema dentro da minha sala que tivesse que ser resolvido fora dela.
    Uma das primeiras coisas que digo aos meus alunos no inicio do ano lectivo é precisamente isso: quem manda aqui sou eu! Explico-lhes logo que não pretendo gritar (até porque se eles não podem gritar, que moral teria eu se fizesse o mesmo?) nem pretendo castigar, pois parto do pressuposto que eles, meninos e meninas bem educados, sabem como se deve estar dentro da sala de aula e sabem que se devem respeitar uns aos outros e a mim, professora e pessoa mais velha. Dito isto, a maioria deles percebe que, se todos nos respeitarmos, as aulas vão correr bem!...E resulta! Claro que, pontualmente, tenho uns xico-espertos que pensam ser mais que os outros, mas resolvo a situação ali, no momento, com eles e dentro da sala de aulas.
    Claro que algumas crianças não têm regras em casa e isso nota-se logo dentro da sala de aulas. Também há pais que pensam que os seus filhos são incapazes de fazer mal ou ser mal educados, mas na realidade, não passam tempo suficiente com eles para os conhecerem bem... e também, há professores, que por cansaço, por falta de coragem, ou simplesmente porque são assim mesmo, que não querem ou não conseguem fazer-se respeitar dentro da sala de aula!
    Enfim, se as partes da equação comunicassem entre si, era tudo bem mais fácil!
    beijinhos da costa alentejana, Xana

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  3. Nem menos! Como professora não tenho quaisquer dúvidas e sou capaz de dizer várias vezes "temos momentos para trabalhar a sério como momentos para brincar". Felizmente estou numa área especifica (a música) e torna-se muito fácil ter prazer a dar aulas (basta essa convicção de que falas). Mas lembro-me antigamente quando fazia AECs tinha situações muito dificeis, de alunos praticamente sem pais (ambos) e ficava muito dificil distinguir entre o que tem de ser e o carinho e atençao que eles precisam... Hoje em dia a maior parte dos miudos têm pais divorciados e não sabem lidar com isso...enfim este já é outro tema..

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  4. Desculpem lá mas este post e os assustadores comentários... não me sossegam nada. "Quem manda aqui sou eu!" e mais blablabla bafiento... Sou suspeita- viva a educação livre! Viva escolas 'democráticas', escolas para os alunos, como sempre deveriam ser. Escolas do género a Escola da Ponte, pública. E viva o ensino doméstico, onde os nossos filhos não têm de ficar 5,6,7 horas à mercê de pessoas que 'mandam' neles, e com muito orgulho *suspiro*
    Catarina

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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