Cut the crap

12.8.13




Quando se começa a falar sobre o pomposo termo da ' Educação e Parentalidade Positiva', muitos pensam logo em pais permissivos, que são muito fofinhos com os filhos e que os estragam com mimos.
Yep, isso é parentalidade permissiva, está correcto! Não é positiva.

Mas, a bem da verdade, é fácil cair-se nessa coisa da parentalidade permissiva, quando o que queremos é ficar no meio termo - nem autoritários mas também longe da possibilidade de criarmos  ditadores dentro de casa. Por isso é que é tão difícil encontrar o centro. E este centro quer dizer que eu, enquanto educador existo, e que a criança existe também. E este centro é escutá-la, é negociar e guiá-la. Mas também é dizer-lhe 'ui! tás maluca [mas com um sorriso na boca, mesmo que seja pequeno!], é dizer-lhe 'agora está caladinha que eu estou a fazer 'uma cena qualquer''. É dizer-lhe 'pois, percebo que sim, mas como já te disse várias vezes isso não é possível e eu não me vou repetir! Acabou a conversa.'. É dizer-lhe 'Percebo isso tudo mas quem manda aqui sou eu.'
É 'abaná-la' no bom sentido. 

Não me entendas mal, mas quem guia és tu. E embora seja verdade [e eu já tantas vezes escrevi e disse] que é preciso explicar e repetir as coisas muitas vezes, outras há [e tu sabes quais são, porque melhor do que ninguém conheces os teus filhos] em que também faz bem mandá-los passear um bocadinho para perceberem que nem tudo é possível e que nem sempre os pais, mesmo os mais fixes, estão disponíveis. Para os pais que estão à procura do meio termo e que por vezes têm receio de mandar dois berros baixinhos, o que digo é 'cut the crap' e siga!

E repito: o mimo não estraga - o que estraga é a falta de regras.

7 comentários:

  1. Obrigada por estas palavras. É isso mesmo!

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  2. Essa é que é essa!! :)
    E quanto a "estragar uma criança com mimos", o que é afinal uma criança mimada??
    É uma criança que recebe muitos mimos ou é uma criança a quem lhe fazem as vontadinhas todas?
    Eu acho que não tem nada a haver com dar miminhos.... :)
    bjs!
    NF

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    Respostas
    1. Crianças "mimadas" são aquelas cujos pais não entenderam que, para bem do seu crescimento, há necessidade de explicar que nem tudo é possível e que existem limites, proibições e coisas que não se podem fazer nunca ou por enquanto.
      Mas o mimo, quando significa afecto, quando significa respeito, beijos, colo, cócegas, risos, surpresas de vez em quando, reconhecimento, interesse real e valor, então esse mimo é bom e não estraga. Muito pelo contrário - constrói uma bela criança, com uma belíssima auto-estima.
      E faz tão bem aos pais também!

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  3. Este post veio mesmo a calhar e fez-me refletir sobre o que se tem passado cá em casa, nestes últimos dias.
    O J. (8 anos), ultimamente, sente uma grande necessidade de responder, responder, sobretudo quando o chamamos à razão ou lhe dizemos "Não", algumas vezes acaba por ser rude nas palavras, age com maus modos e amua.
    Quando isto acontece, a forma de travar a sua insistência em querer ter a última palavra é dizer, repetidamente, que não me responda e ponto final.
    Na verdade, será que faço bem, deverei deixá-lo argumentar ou justificar-se ? É que por vezes ultrapassa os limites, outras vezes, confesso que não tenho paciência para argumentar com ele e acabo por usar a minha autoridade de mãe, mando-o calar e o assunto fica arrumado. No entanto, lembro-me que, na idade dele, detestava quando isso me acontecia.
    Ontem mesmo ele me disse "- eu sei que às vezes tens razão mãe, mas podias arranjar outra solução sem ser pedires para me calar"
    E é isto...

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  4. Sim o meio termo é o que pretendo, mas não é fácil chegar lá. O meu menino vai fazer dois anos e se até à pouco eu cedia em certas coisas porque para mim ele ainda não entendia. Agora começo a achar de extrema importância colocar as coisas como elas são e explicar-lhe que não pode ser. Umas vezes resulta, outras fica a chorar, outras ainda cedo ( tenho de insistir mais). Este choro de birra não me incomoda, mesmo em público. Geralmente falo em outra coisa que goste ou que o faça esquecer a birra. Não suporto atitudes demasiado permissivas. Vejo crianças a mandar nos pais e faz-me confusão.

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  5. Olá, Edien! Tenho uma sugestão que não sei se resulta com 8 anos, mas vale a pena tentar. Eu já apliquei 3 ou 4 vezes com a minha filhota de 3 anos e resultou. O problema é que nem sempre me lembro de o fazer, senão achismo que resultava mais vezes. Quando a conversa começa a tomar o rumo que não queremos, está meeeesmo no limite do "berra não berra", digo-lhe: "pronto, vamos fazer as pazes (antes de nos chatearmos a sério)", damos um abracinho e mudo logo de conversa... Quem sabe se não resulta ;) Boa sorte!

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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