Dar espaço à dor, para honrar o bom.

6.6.13
Como é que se vive depois da notícia trágica do Rodrigo? 

Uma amiga minha dizia-me 'Temos de continuar, temos de afastar o medo, a ideia, os pensamentos e seguir. De outra forma, não se vive.'

Temos mesmo essa obrigação. Continuar. Estimar quem temos, valorizar os pequenos nadas.

A vida tem momentos duros e vale a pena dar espaço para a dor ser vivida e sentida. 
Na verdade, é quando dás espaço a essa dor, que podes sentir com maior intensidade e serenidade, os momentos de alegria e de felicidade. É nessas alturas que honras o que a vida tem de bom.


Eu sei que ontem abraçaste com mais força os teus filhos. Fá-lo sempre. Honra o que a vida tem de bom.

7 comentários:

  1. Ontem abraçei o meu Rodrigo, que tem quase a mesma idade...chorei ontem...hoje e penso que o irei fazer por mais algum tempo...não se consegue esqueçer um sorriso lindo daqueles. Só de pensar o que aquela mãe está a sentir agora dói-me a alma. A vida continua...temos de a empurrar para a frente de alguma maneira.

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  2. Ser mãe rouba-nos a serenidade de passar por casos como estes e esquecer facilmente. Ser mãe de um faz-nos ser mãe de todos. Olho para a minha filha e morro de medo. Penso na mãe do Rodrigo e dói-me. Aquele menino fez com que tanta gente se juntasse a esta causa, como nunca vi. Foi a primeira vez que tive vontade de dar sangue e tornar-me possivel dadora de medula e senti essa vontade com uma força enorme. Por ele e pelos nossos filhos. Por todas as mães. Precisamos de continuar este caminho juntos para ajudar a Vanessa. O nosso menino herói já não sofre, mas o coração daquela Mãe tem de ter sobreviver. Ser mãe de anjo é suportar dor e saudade todos os segundos de vida que se seguem. Ser mãe e não poder aquecer os pézitos com frio, sentir abraços apertados, ouvir os disparates deliciosos que saem daquelas boquitas marotas deve ser a pior coisa do mundo.
    Aqui vos deixo umas palavras de uma mãe, é um excerto, não está completo.
    PEDIDOS SIMPLES DE MÃE ENLUTADA

    Eu desejo que você não tenha medo de falar o nome do meu filho perto de
    mim. Meu filho foi e sempre será importante e eu preciso ouvir o ...nome
    dele. Se eu chorar ou me emocionar pode conversar sobre isso... eu queria
    que soubesse que não é porque você tenha me magoado falando n...ele. O fato de que meu filho partiu causou minhas lágrimas. Você tem me permitido chorar e
    eu lhe agradeço. Chorar e emoções inesperadas fazem parte do processo da minha dor.

    Vou ter altos e baixos emocionais. Eu não queria que você pensasse que se eu tiver um bom dia meu luto está acabado, ou que se eu tiver um dia ruim eu preciso de aconselhamento psiquiátrico. Meu humor se tornou instável e imprevisível, da alegria ao desespero, e é tão imprevisível para mim, como para você. Isso faz parte da minha nova vida "normal".
    Não esperasse que minha dor já estivesse acabado em seis meses. Por favor, não ache que exista um "período de tempo" e eu me torno uma mãe “ex-enlutada", mas eu estarei doente para sempre me recuperando dessa tragédia em minha vida. Por favor, não diga como eu deveria lidar com minha dor ou que "é hora de seguir em frente" ou "um dia haverá a superação deste sofrimento". A palavra "superação" é um termo de mídia, moda, que é absolutamente sem sentido para nós.
    Eu não sou a mesma pessoa que era antes do meu filho partir e eu nunca mais serei essa pessoa novamente. Se você continuar esperando e me incentivando a "voltar para o meu velho eu", você vai se decepcionar. Eu sou uma nova criatura, não por escolha, mas
    pelas circunstâncias, com novos pensamentos, aspirações, prioridades, valores e crenças. Por favor, tente me conhecer de novo... Talvez você ainda goste de mim...

    _Consuelo Melo_

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    1. Sem dúvida! Sem dúvida. Não tenho palavras... Não há palavras... :(

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  3. Temos que agradecer e saborear todos os dias. É certo que os últimos 2 dias foram especiais em abraços, beijos, mimos... como olhar para os nossos meninos e esquecer aquela mãe? Nem consigo escrever o que diz o coração...

    Um beijinho Magda*

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    1. Um beijinho, Bi! Um grande beijinho!

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  4. Sabes Mum's... desistir não é opção!
    Como se vive depois da dor?
    Chora-se, revolta-se, nega-se, faz-se o luto, aceita-se, perdoamo-nos a nós próprias... e aí aprendemos a viver com a dor da saudade, da saudade do que passou, da saudade do futuro que foi roubado enfim aprendemos a viver de outra forma, mas é possível sobreviver...
    Eu não perdi nenhum filho para esta doença terrível, mas já perdi dois filhos...
    Grávida de 7 meses de dois meninos, perdi o Daniel e salvamos o Tiago... foi duro, terrível e tempos muito dolorosos e ambíguos - a vida e a morte lado a lado. Aprendemos a viver com os dois lados da vida. Depois voltamos a sonhar... e aí vinha a Inês, que aos 9 meses de gestação partiu... novamente a dor, o desespero, a incredualidade, o aprender a viver de novo com mais esta dor, com mais esta saudade... E voltamos a sonhar e a acreditar... e depois chegou a Leonor... e apendemos a viver com 2 filhos em casa que são a nossa alegria, a nossa luz, a nossa vida... e com 2 filhos para lá das nuvens, que certamente são felizes, mas que dariamos tudo para os ter junto a nós.
    Sabes, desistir não é opção! Só vivemos uma vez e temos que fazer o melhor que sabemos para sermos felizes enquanto cá andamos. E se possível continuar a sonhar.

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    1. Carla, nunca ousei perguntar... sinto muito, mesmo muito.
      Porque não há palabvras, deixo-lhe um grande beijinho nesse coração. Bem haja! Continue a sonhar. Por favor!

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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