Guest Post #4- Olhem eu grito - Teresa Melo (Quando For Grande Quero ser Mãe)

2.5.13


Como é que eu que sou mãe de quatro a desejar ser mãe de seis, educo por amor e por instinto, gosto de mesas grandes onde caibam muitos, gosto de muitas meias no estendal, gosto do cheiro a bebés acabadiiiiiinhos de nascer, e dos outros também, gosto de armários a transbordar papel higiénico, gosto de cocós até às costas, gosto de chupetas perdidas que nos fazem perder a cabeça, gosto de ataques de cócegas, vou dizer que levanto a voz, vou dizer que grito?
Não. O “Berra-me baixo” não é para mim.
Como é que eu que gosto de não ter tempo porque o esgotei com gente pequenina, gosto de abraçar os meus e os dos outros, gosto de ter milhões de migalhas no carro, gosto de não ter panelas, gosto de ter “panelões”, gosto de dar colo, gosto de fazer totós e de dar laçarotes, gosto de ler histórias de encantar, vou dizer que grito, que me desoriento, que me perco de desespero?
Não. O “Berra-me baixo” não é para mim.
Foi assim que pensei quando li o desafio “Berra-me baixo” proposto pela Magda. Não é para mim. Tive vergonha.
Aderir ao “Berra-me baixo” era dizer: Olhem! Eu sou assim, como escrevi ali em cima, mas eu grito! Eu gri-to! Sou uma “berrona”!
Para mim, levantar a voz, sempre foi uma solução! Uma solução que me deixava triste e frustrada mas uma solução! Uma solução sem alternativa.
Ao acompanhar o Mum’s the boss, ao ler os ensinamentos da Magda, os seus conselhos, as partilhas de outras mães, fui-me apercebendo que, afinal, não sou assim tão diferente. Fui admitindo que berrar não é solução, berrar está errado, berrar não sabe bem.
Se admitir não foi fácil, partilhá-lo foi uma montanha e tanto que tive de ultrapassar!
Em Março aderi ao “Berra-me baixo”. E aqui ando. Continuo a gritar, a desorientar-me, a ficar com o coração apertado... Com o coração ainda mais apertado!
Porque agora quando grito faço-o com uma consciência completamente diferente porque sei que não tem de ser assim. Posso ir junto dos meus filhos. Perceber que o jogo está quase a terminar. Compreender que o computador demora a desligar. Entender que a borboleta ainda tem uma asa por pintar...
Nos dias em que entendo isto, nos dias em que consigo esperar que as minhas crianças sejam crianças, fico muito mais feliz e elas também. E isto, não tem preço.
Obrigada Magda. Obrigada Mum’s the boss! Do fundo, bem lá do fundo, do meu coração,

 Teresa Melo 
Blogue AQUI

6 comentários:

  1. Só para deixar um beijinho e muito bem haja!

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  2. Adorei o texto! Não conhecia o blog, e já fiquei fã!!

    e já agora, como é que se põe o "Reacções:" ? :) também queria!
    Obrigada

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  3. Tão bom! É isto mesmo!! Quando (ainda) gritamos temos consciência que poderíamos fazer melhor! mas também temos direito a não ser perfeitas! :))

    beijinhos, Magda e Teresa!

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  4. Um artigo que diz muito de uma Mãe com M maiúsculo! Beijinhos Teresa e Magda!

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  5. Mulher de sabias palavras !!

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  6. Adorei o texto da Teresa, a simplicidade das suas palavras, a descrição do amor incondicional pelos seus quatro filhos e a sua humildade. Uma mãe dedicada,amorosa e apaixonada.
    Beijinho muito especial para a T. e para a Magda que com este seu desafio, não só nos põe a pensar em nós, nos filhos, mas também nos aproxima de outras mães, de outros pais, que procuram o mesmo que nós, ser felizes e melhores pais.

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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