Coaching para avós

8.1.13



Não são só os miúdos que nos podem levar à loucura. Os avós também. Seja porque são demasiado permissivos ou demasiado autoritários. Basicamente, porque o conflito de gerações continua e o estilo de parentalidade deles não é o mesmo que o nosso. Seja porque nos desafiam. Seja porque é a nossa mãe ou a nossa sogra. Seja pelo motivo que for. Tiram-nos do sério e levam-nos a um valente ataque de nervos. Até mesmo os que vivem longe de nós!

Já há meses que tenho um post iniciado sobre este tema mas o post da Marisa, deste domingo, fez-me repescar o assunto e escrever sobre ele numa perspectiva diferente.

Podia aqui escrever sobre aqueles avós que mimam em demasia os netos. Que lhes dão sempre o prato de fritos favorito, a bola de berlim cheia de creme 4 dias depois dos putos terem apanhado uma gastro, ou aqueles que os deixam ver o panda até à meia noite. Podia aqui escrever sobre os avós que se viram para ti e te dizem, na frente dos teus filhos, que não estás a educá-los em modos. Ou aqueles que dizem que tu nunca respondeste daquela forma e que uma palmada bem dada é o que ele está mesmo a precisar. Ou podia falar ainda daqueles avós que quando tu dizes que ‘não há mais bolo de chocolate’ se levantam e voltam a encher o prato com mais uma fatia, desautorizando-te.

Mas porque há tantas versões e modelos de avós (até porque depois há avós que são sogros e aí a coisa complica-se! – ou não!) prefiro falar sobre ti e a tua relação com eles. Fica mais fácil – ainda que seja um tema e um assunto hiper complexo, com muitas nuances. Então vou escrever de forma genérica com as linhas pelas quais te possas orientar e reflectir.

Há uma frase que adoro e que me serve sempre de grande orientação e que diz
‘Cada macaco no seu galho’.

E o que é que eu quero dizer com isto?
Que mãe é mãe e avó é avó. A função de educar pertence inequivocamente à mãe.
Sim, as avós ajudam e muito. São elas que muitas vezes ficam com eles, que vêm lá a casa para que possamos sair e ter vida própria e fazem isso por gosto e também porque percebem que precisamos dessa mão. Ainda assim, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mãe é mãe, avó é avó! E por  isso cada uma delas deve estar no seu galho!

Por isso, quando o conflito de gerações volta (pois, eu também pensava que aquilo terminava no fim da adolescência), é normal que nos sintamos incomodadas. Repara: se fosse a funcionária de uma loja de bebés a dizer-te uma coisa semelhante, o mais certo era ou ter o teu olhar de desprezo, uma resposta à altura do atrevimento ou não estares nem aí. Mas com as nossas mães (ou sogras!) há uma ligação emocional forte. E também há a esperança que elas estejam lá para ajudar e não para criticar. Não o fazem por mal. Aliás,  já estiveram no nosso lugar e sabem fazê-lo. Mas tudo seria muito mais simples com um ‘Eu sei que parece complicado – mas daqui a nada já és uma especialista a preparar os biberons!’ em vez do ‘Sai mas é da frente que por este andar o menino ainda morre à fome. Deixa-me preparar o leite!’.

As nossas expectativas são grandes, em relação às avós. Numa fase em que tudo é novo (e não me refiro apenas aos bebezinhos – também falo quando eles já são maiores) – dizer que estamos a fazer mal, fazerem o contrário daquilo que nós pedimos e queremos é no mínimo perturbador e irritante. E sim, eu sei que não é por mal. E sim, eu sei que é com a melhor das intenções mas quando recorrentemente as intenções são sempre as melhoras apetece-me dizer que ‘de boas intenções está o inferno cheio’ e isso já me soa a desculpa esfarrapada para se fazer como se quer... E digo isto dos avós e também a qualquer outra pessoa que me diz sempre ‘ah e tal, não foi por mal’.

Posto isto, vamos falar agora do que é mesmo importante. Depois de tudo o que disse... caio em mim, e pergunto-me se ali também não há um bocadinho de responsabilidade minha...

Ora pensa aqui comigo: será que a minha mãe já me vê como uma mulher, mãe, pessoa responsável que sou e sinto que sou ou será que eu continuo a alimentar a minha imagem de jovem de 22 anos a viver ainda em casa dos pais (embora já tenha saído do ninho há mais de 10 anos)? Será que me faço entender?

Eu cresci, é certo. E também é certinho que vamos ser sempre uns pequeninos aos olhos dos nossos pais. Mas a questão é ‘que imagem é que eles ainda têm de nós?’ Será que já apagámos a imagem da jovem de 22 anos? Mesmo? E qual foi a imagem que a substituíu?

Se esta imagem foi bem substituída e os nossos pais são pessoas equilibradas e mentalmente sãs, podem volta e meia ‘estragar’ os netos com mimos e com ‘pega lá mais este chocolatinho’ mas saberão qual é o lugar deles e farão como lhes pedirmos. Porquê? Porque sabem que ‘cada macaco (neste caso : macaca) no seu galho. Deslizam – faz parte – mas logo a seguir encontram o rumo.

A Marisa perguntava se não era boa ideia haver coaching para avós. No fundo, a questão parece-me ser mais ‘como é que eu lhes enfio na cabeça que eles não podem fazer tudo o que desejam?’
E eu adorava ter uma varinha de condão para ajudar mas não tenho.

Tenho sim a certeza que quando tu te sentes legitimada no teu papel de mãe então tudo terá um outro impacto e um outro resultado. Aos poucos. Porque não há mudança que de facto se mantenha se não for feita de forma segura e com tempo.

E isto de se sentir legitimada é sentires que tens as tuas certezas e as tuas dúvidas também. É assumires isso perante ti e os outros. É sentires que escutas os outros, que pensas e decides sobre o assunto. E fazes tudo isto tudo com uma atitude madura, que vem de dentro e que não precisa de provar nada a ninguém. E é esta atitude madura que está em concordância com a tal imagem que eu falava há pouco. A de uma mulher, mãe, pessoa responsável que por acaso é filha (ou nora!) daquele senhora. E que se passa quando tem de se passar. Mas que também sabe aceitar que os avós têm vontade de opinar e vibram com os nossos filhos que sentem como sendo um bocadinho deles.

Sinceramente, não me parece que os avós precisem de coaching se o que acima escrevi ainda não estiver em ti. Garante essa tal imagem. A partir daí o resto vem. Posso assegurar-te!

Até lá, leva as coisas mais a brincar. Sabes porquê? Porque nunca sabemos quanto tempo nos resta. Então brinca mais, goza com os teus pais, tira-os do sério. Encontrem o vosso espaço: o de mãe, o de filha e o de avó. E gozem! Quando deres conta, estás tu no papel dela!




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5 comentários:

  1. Gostei muito deste post!
    Eu achei que ia ter uma postura muito mais agressiva com as avós. Mas deixo-as gozar o papel. A minha sogra é uma avó ausente (por opção dela). Por isso, as criticas que me faz, nem as ouço... E acho melhor os raros 5 min que estamos com ela sejam de paz.
    Com a minha mãe também a deixo gozar o neto. Mas tive que lhe mostrar que já não era a sua bebé (até porque fruto de uma gravidez dramática, me deu muito colo e muito apoio e acredito que quando saímos os 2 do hospital, lhe tenha sido dificil ver uma mãe e um bebé e não "os seus 2 bebés"). No início ouvi muitas sugestões (porque os outros pais recentes faziam as coisas de outra maneira). "Ganhei" a sua confiança e fui-lhe mostrando que tem um neto saudável e equilibrado. Agora é vê-la com orgulho a aconselhar os outros a fazermos como nós. Mari

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  2. Gostei muito e é um assunto e uma questão que dá que pensar e falar. Mas acredito que se formos determinadas nas nossas convicções acabam por respeitar as nossas decisões. A minha mãe é fantástica e uma ajuda fundamental, mas sei que temos maneiras muito diferentes de educar e que eu quero fazer as coisas de modo diferente ao que fizeram comigo e que na educação do meu filho quem toma as decisões sou eu e o meu marido e acho que se a minha mãe quer e gosta de ajudar tem de o fazer de acordo com os nossos ideais.. Claro que de vez em quando pode dar umas gomas à escondidas, o meu filho de 3 anos conta sempre tudo e acabamos por apanhá-la... Os mimos fazem parte e o importante é não interferirem na educação e não nos desautorizarem em frente aos filhos. Mas penso que o respeito mutuo pelo papel de cada uma é o segredo!

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  3. Gostei da ideia, gostei do que li, mas continuo a achar que sim, o coaching de avós é mais que preciso é necessário.
    É mais que avós, é mais além, é algo do tipo "os vossos bebés cresceram sim" e "sim, vejam, apreciem e dêm palmadinahs nas vossas costas, fizeram um bom trabalho".
    Não estou a falar dos pais/sogros =avós que ajudam (e ainda bem, graças a Deus), que brincam, que dão aquela fatia de bolo às escondidas (sem prejuízo da saúde da criança ou em desautorização dos pais), esses são os "inofensivos", mas dos que fazem birra e batem o pé, dos que medem forças com os pais a "ver quem manda mais aqui", daqueles que "ser avô/avó é ser pai/mãe duas vezes, por isso a criança tem (é sua obrigação) gostar mais de mim". Daqueles que querem que se lhes jure vassalagem por ajudarem, por serem avós e não fazerem como os outros que se ouve na tv que maltratam e batem e espancam.
    São esses que precisam de coaching. Que precisam que se lhes diga "cada macaco no seu galho". Porque se forem os filhos, filhas, genros, noras a dizer instala-se a 3ª guerra mundial, são gritos e desvarios, amuos e sei lá mais o quê. E sim, falo por exepriência própria, a minha mãe é assim.

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  4. Nany,
    O inicio do post fala em avos que estão equilibrados... Qd situações dessas acontecem, perguntou se apenas acontecem qd essas pessoas estão apenas mó papel de avós ou acontece com mais frequência noutras esferas da vida. E aí nao é coaching p avos mas life coaching. Da sua parte, é importante assumir-se. Se nao gosta e nao quer tolerar então assuma-se! Por vezes os resultados são surpreendentes!
    Um beijinho!

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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