Coaching para mães

29.10.12



Há cerca de uma semana, a revista visão publicou um texto com o título ‘Os paistambém amamentam’.

Portugal tem, no que diz respeito à promoção da família e à promoção da igualdade entre género, uma das melhores leis europeias.
Mas, ainda assim, e quando pergunto nas sessões de coaching ou até nos workshops que mudanças positivas as mães gostariam de fazer, muitas falam em terem tempo para irem fazer ginástica, correr, mexerem-se! E, quando vamos mais longe, percebemos que numa larga maioria, os maridos têm uma actividade desportiva uma a duas vezes por semana.

A questão então é: O que é que te impede de ires, tu também, à tua aula de step? Se a questão da igualdade começa a deixar de o ser em termos legais, quer-me parecer que nós mulheres (na maior parte dos casos, claro), somos muito boas em arranjarmos justificações para não irmos: seja porque alguém tem de ficar com a criança (escondendo uma preguiça ou até mesmo um sentimento de culpa mais profundo) seja porque, ao estarmos por casa, permitimos que estejemos todos juntos, em família.

A questão passa então a ser ‘como é que fazes para não ires à tua aula de step?’
A grande explicação está na chata da culpa judaico-cristã. É verdade! O raio dessa culpa que nos lixa a cabeça e que está de tal forma enraízada que eu até me pergunto se ela não virá no nosso ADN comportamental...
Um raio de culpa que diz que não faz mal que ele vá porque, afinal de contas, não faz mal que eu fique hoje e vá na próxima semana. Ou que adie a inscrição mais uma vez, até porque agora chegam os dias pequenos e o frio dá menos vontade de ir. Mesmo que eu ache que isso é importante para mim. O mais engraçado é que, se calhar, ele nem se importa e até faria gosto... Ou não. Enfim, cada caso é um caso.

Então, caso estejas com este ‘dilema’ nas mãos, a questão que te coloco é
‘estás à procura de uma justificação para não ires ou de uma brecha para te pores a mexer?’
A partir daí podes deixar cair a questão ou passares a um plano para ires tratar da saúde e de ti!

8 comentários:

  1. Querida Mum, adorei a questão porque concordo inteiramente com o que dizes. Tenho uma mãe que facilmente se coloca em último lugar quando o assunto mete filhos (e já não usamos propriamente fraldas).

    Na minha opinião, usar os filhos como desculpa é cobarde. Não percebo onde está o orgulho em dizer "ai não posso, agora tenho com os miúdos...". Não tem mais mérito dizer "eu tenho os miúdos e além de tomar conta deles arranjo tempo para mim também"? Não podem ir ao ginásio porque têm os miúdos, mas podem por máquinas a lavar, passar a ferro, ir ao supermercado com um filho pendurado em cada perna e ainda dar um saltinho na lavandaria para ir buscar o "casaco do teu pai". Poupem-meeee! Quando queremos, conseguimos seja o que for. A questão é: Será que queremos mesmo? (E incluo-me no grupo porque embora não seja mãe acho que sim, que este comportamento está metido no nosso ADN)

    beijo!

    ResponderEliminar
  2. Ah, esqueci-me de dizer que embora tenhamos leis que nos apoiem, de nada servem se não mudarmos a maior lei está dentro da nossa cabeça.

    ResponderEliminar
  3. Clap clap clap...toca a mexer mentalidades! Seja para a aula de step ou para 30 min a vegetar. Tanto o papá como a mamã tem direito a usufruir de si próprios...SEM CULPA. Tenho no entanto a impressão de que nos dias de hoje muitas são as vezes em que esses " não posso porque tenho filhos" são meras desculpas para não assumir prioridades que mudaram e com as quais ainda estamos a tentar fazer as pazes...Digo eu!

    No entanto Mum tenho que dizer uma coisas: "Portugal tem, no que diz respeito à promoção da família e à promoção da igualdade género, uma das melhores leis europeias." é no mínimo....uma imprecisão. Na realidade este país ao pé do mar plantado não se pode considerar dos piores aí até à fronteira com a Bélgica ( a ser boazinha)...depois disso não tem hipótese. A promoção da família vai muito...mas óhh muito para além de 120 dias de licença de paternidade/maternidade, arrisco-me até a dizer que é depois destes 120 dias que as famílias se formam, reformam e consolidam. E isso Portugal não promove...despromove até.

    Olha....saltou-me a tampa!
    Boa temática Mum. Parabéns.

    ResponderEliminar
  4. Estou de acordo contigo, Anita! O que eu quero dizer é que estes 120 dias já começam a abrir mentalidades. Mas anda, conta mais, desenvolve a tua ideia :)
    Beijinhos!!!

    ResponderEliminar
  5. Em Portugal não se promove a Parentalidade...a bem dizer...castiga-se a Parentalidade. Eu podia deambular pelo o quanto as nossas leis sociais (que contam...e muito) estão aquém das dos outros países do mundo desenvolvido mas eu acho que o grosso do problema reside nas "lei culturais". Eu passeio-me com a cria, ou com o meu passaporte de mamã, por este país, e não encontro senão entraves. Senão veja-se:

    8h30 Procuro emprego. Até tenho sorte ( vamos deixar as discussões de crise para outras marés) e arranjo uma entrevista. Fico contente durante 20 minutos e depois apercebo-me que vou ter que desinvestir seriamente (senão desistir) numa das minhas capacidades produtivas. Porque não se fala em trabalho em parte-time. Gente que é gente, séria e boa trabalhadora ou se disponibiliza a 100% para emprego das 8h00 as 20h00 ou é retrógrada e não sabe acompanhar o sinal dos tempos. Pelo que me resta uma escolha...ou produzo e vendo ideias, carros ou paineis solares...ou produzo seres humanos. Entenda-se que eu considero que a produção de seres humanos começa no momento que salta cá para fora a pedir mama ( ou um bocadinho antes) até que se me saem debaixo das saias e vão eles produzir seres humanos ( a partir daí só aceito ser consultora de produção.)

    12h30 Estou um bocado frustada e o marido não está em casa para eu poder desabafar. Desafio mais uma MATI e vamos almoçar fora. Depois de conduzir o diacho do carrinho de bebé pelo meio da rua porque os passeios são para estacionar veículos motorizados ( infelizmente tenho para mim que é mais certa a multa por falta de moeda no parquímetro do que por estar em cima do passeio) lá chegamos ao café/restaurante/pastelaria. Relembro com saudades dos tempos em que a cria tinha meses e ficava sossegada no ovito. Agora pergunto-me porque é que com tantas mesas vazias ainda não ocorreu aos espaços comerciais ( restaurantes e mais o diabo a quatro) de ir ali ao Ikea adquirir uma mesita e umas cadeiras para pôr os pequenos diabitos a desenhar enquanto os progenitores gastam euros na casa.

    17h00 Não degluto assim tão devagar...a cria esteve a fazer a sesta. Vou preparar o saco do Infantário. E lembro-me que não encontrei um...mas um ÚNICO infantário na cidade da Maia ( se isto não for verdade para o resto do país...por favor gostaria de ser corrigida) que aceite inscrições para um, dois ou 3 dias. Aqui neste país de ricos pagam-se 5 dias de infantário por semana....ou então nada feito. Eu sou pró-infantário. Mesmo para a prole de mães que estejam em casa. As crianças precisam de socializar com os seus pares e as mamãs/papás precisam de andar para a frente com coisas da vida....mas não 8 hrs/dia 5 dias/semana.

    Eu sinto que em Portugal se considera necessário fazer outsourcing da educação dos filhos ...ou outsourcing da produção de riqueza. Um(a) bom(a) mamã/papá é um(a) que pode cuidar de si e dos seus, e não se sente frustado porque tem que escolher entre fazer uma coisa ou outra. E isto vai muito além de uma ida ao ginásio, ou um jogo de futebol com os gaijos, ou de quem dá a mama ou o biberão. Eu acredito que existem por aí tantos papás quantas mamãs que gostariam de realmente de não só dividir tarefas domésticas como de poder dividir o seu tempos por estas duas impostantes formas de produção.
    Por isso eu digo que em Portugal se desincentiva a Parentalidade.

    Assim só para dar início à discussão...é isto. Há mais...claro que há!Também há coisas boas :)

    ResponderEliminar
  6. Nós podemos sugerir pessoas para a Magda entrevistar???

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querid@ anonim@,
      claro que sim! Envia-me email, por favor :)
      Beijinhos!

      Eliminar
  7. Tens toda a razão e parece que me leste a mente... adorei, a propósito disso também escrevi sobre o meu caso em especial e mencionei-te no meu blog.. beijinhos

    http://asecretariaencantada.blogspot.pt/2012/10/ginastica.html

    ResponderEliminar

Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Share