Rituais #1

14.9.12
publicado a 01/11/11

Este post é dos que tem mais significado para mim porque sou menina de rituais. Gosto deles e pronto!


E Setembro é o mês para definirmos aqueles que queremos que aconteçam na nossa vida. Porque o Outono e o Inverno são meses em que ficamos mais por casa, em que cozinhamos mais, em que nos aquecemos mais. Espero que este post te possa inspirar. A mim, que ainda estou de férias, deu-me uma vontade grande de começar a preparar tudo!






Os estudos provam que os rituais são bons para a saúde. E porquê? Então, porque tornam a vida mais previsível, sob controlo e com significado. Sim, sim! É que nós todos gostamos muito pouco de surpresas, embora digamos o contrário (os estudos também provam isso!).


Com o fim do verão e com o início das aulas, chega também a época do ano com mais tradições. Nós temos os Fieis, a quem os franceses chamam de “toussaints”, os magustos; os alemães têm o oktoberfest e pelo meio temos ainda o Halloween dos americanos.


Mas celebrações à parte, a verdade é que cá em casa, pouco se festejava condignamente. Como na maior parte das casas. Só que festejar o Halloween era demasiado americano. Festejar o Thanks Giving ainda mais. E fazer um almoço com amigos muito próximos era apenas isso: um almoço. Então, inspirada num livro que li, decidi celebrar tudo ao mesmo tempo. E o que é que celebrei? Celebrei a sorte que tenho em ter amigas excepcionais, que estão presentes em todos os momentos da minha vida, e como estou grata por as ter. E também celebrei com elas, com os delas, e com os meus, a chegada do Outono/Inverno, com aquilo que a terra nos dá de melhor. E, porque a terra também nos dá abóboras nesta altura, fizemos um mimo aos mais pequenos, e aproveitámos para celebrar o dia das bruxas. Ora, para quem não queria americanices, coloquei oito pessoas à volta do tema do Thanks Giving, do Halloween e, vá lá, do S. Martinho também! E todos alinharam!


Então, a partir de agora, todos os Sábados antes do dia 1 de Novembro, temos encontro marcado cá em casa, por volta da 1h. Neste dia, celebramos a amizade com aqueles que eu considero a minha segunda família. O menú pode ser o que quisermos desde que todos os ingredientes sejam os da época. Este ano houve sopa de abóbora, lombo de porco assado com couve rouxa, maçã cozida e castanhas, um “gratin dauphinois” (que é como quem diz: batatas às rodelas no forno), gelado de dióspiro com coulis de framboesa, musse de chocolate, castanhas assadas e queijos. Os vinhos eram portugueses e todos tinto.


Tenho de confessar que foi um dia perfeito.


Ainda assim, quando penso na palavra rituais ou na palavra tradição, lembro-me de dias cansativos, em que era obrigada a estar presente e acabava quase sempre por não aproveitar. Por isso, cair nessa coisa de celebrar uma data de forma tradicional é como se estivesse a ir contra a minha natureza original e criativa e que não gosta de convenções. Mas talvez o segredo esteja justamente aí: em aproveitar a tradição, criar algo de original e só nosso, que tenha a nossa impressão digital. Por outras palavras, é celebrar uma coisa comum a todos mas com aquilo que mais gostamos e que é só nosso.


Na verdade, e segundo os estudos e leituras que ando a fazer, dizem que os rituais contribuem para o sentimento de pertença de pequenos e graúdos. São formas de se estreitar laços e de criar recordações positivas o que, no caso das crianças, lhes dará enquanto adultos, a certeza que a sua infância foi um lugar seguro. E isso é bom – vão ser de certeza adultos desencucados, e não vão chatear o resto do pessoal. Mas li mais: numa altura que a normalidade passa a ser as famílias compostas, os rituais tornam-se ainda mais importantes para que se possa criar uma nova identidade familiar. Novas ou antigas, as famílias precisam destes momentos: dos tradicionais e sociais, como são o Natal, a Páscoa ou ainda o Carnaval, como dos SEUS rituais, ou seja, aqueles que cada uma delas cria. E precisa deles de forma regular, para que a coesão familiar, o sentimento de pertença, a auto-confiança e também a felicidade possam aumentar e sejam reforçados.


E o que é que é mesmo bom nesta coisa dos rituais? Para mim é de certeza a excitação da preparação! De pegar num papel e começar a anotar tudo, desde o que se vai comer, à forma como vou decorar a mesa e de qual é que vai ser o papel de cada um que vai ajudar. É mesmo como o outro diz: a felicidade não é um fim, é mesmo um caminho!


E eu? Eu continuo com um sorriso de felicidade porque estou mesmo contente com esta ideia que tive! E, por saber que, daqui a um ano, cá estaremos todos para celebrar o Thanks Giving, o Halloween, o S. Martinho e a Amizade. E isso dá-me um grande reconforto e a crença que o futuro é um lugar feliz!


1 comentário:

  1. Eu adoro o meu ritual do chá às 6 da manhã. E este ano ( e os próximos) ando decidida a festejar tudo o que houver para festejar. Segue-se o equinócio do outono, o solstício de inverno, a implantação da república e a restauração da independência (com uma lição de história para os miúdos, para não serem daqueles que são entrevistados na TV e não sabem o que foi o 25 de Abril...), o Natal, e por aí fora (o Halloween não!!). É verdade, não vinhas cá abaixo?

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