A verdadeira missão dos pais

8.9.12

SEGUNDA-FEIRA, 30 DE JULHO DE 2012







Sabes aquela famosa tatuagem do ultra-mar ‘Amor de mãe’? Pois é, o amor de mãe (e de pai, claro!) é ultra-especial. É um amor tão diferente dos outros. É uma amor onde damos o tudo por tudo, onde damos o melhor daquilo que temos e somos para que, no final, a criança que gerámos -  agora adulta – dê o salto e vá fazer a vida longe de nós. Apostámos tudo para nos deixarem!

Mas a missão dos pais, a verdadeira e grande missão não é amar incondicionalmente os filhos. Não é mesmo!

A verdadeira missão dos pais é uma e só uma: é educar e humanizar a criança e torná-la num adulto são, capaz e responsável. É para isso que cá andamos, meus senhores e minhas senhoras.


Há muitos anos ouvi uma senhora (sei que era psicóloga ou pediatra mas não me lembro do nome nem em que estação ouvi) dizer uma coisa absolutamente correcta. Dizia que existem dois tipos de pais / educadores:

1)   Aqueles que adoram as crianças, adoram brincar com elas, enchê-las de mimos, dar-lhes chocolates, brincar e brincar com elas. Tratam-nas como se fossem animaizinhos fofinhos e apresentam-nas como coisas. Gostam delas mesmo a sério? Claro que sim!
2)   E depois há aquelas que adoram as suas crianças e gostam de brincar e estar com elas mas o seu grande desejo é encaminhá-las para que sejam adultos saudáveis, felizes e que não causem problemas (sim! Ela disse isto: não causar problemas!).

De facto, a função do pai e da mãe é enunciar quais são as regras mais importantes da vida da criança – algumas das quais vão desaparecendo à medida que a criança vai crescendo. Repara: nem tudo é proíbido para o resto da vida. Se o teu filho ainda não pode cortar o pão com a faca de serrilha, daqui a uns anos já poderá fazê-lo. Só precisas de lhe dizer que quando for um bocadinho maior vai poder ajudar-te nisso. Agora é que não. Mas já há coisas que pode fazer agora que não podia antes.

E depois há outro tipo de regras. O teu pai chateia-se contigo quando bates no teu irmão? Chateia-se, pois! Primeiro porque ninguém gosta de apanhar. E em segundo lugar, e fundamentalmente, porque se o teu pai sair de casa e for bater no vizinho, já se sabe que se vai chamar a polícia, não é? Pois é, a função do teu pai é educar-te e fazer-te compreender as regras que temos na sociedade em que vivemos!

E agora dizem os mais puristas ‘Ah e tal mas isso não é castrar a criatividade das crianças? Isso não é frustá-las? E queres criar o teu filho neste tipo de sociedade?’
Give me a break!  Há outra sociedade? Eu sou a sociedade, tu não?
E respeitar as regras da sociedade nunca impediu ninguém de ser criativo. No limite deixou alguns teenagers à deriva, isso sim! Aliás, se algum criativ@ me lê, sabe bem que a criatividade dá trabalho e tem pouco de impulsivo, certo?

Quando os filhos percebem o interesse das regras e as integram na sua vida, então passam a aplicar essas mesmas regras (ou limites, como queiras chamar) sozinhos, sem que seja necessário que o pai e a mãe estejam sempre ali ao lado. E isso é humanizar e educar uma criança.

A verdade é só uma: quando uma criança sabe que os pais não são capazes de a fazer obedecer, então ela também acha que esses pais não são capazes de a proteger. E as crianças precisam desta sensação de segurança para se construírem e crescer.

Lá está, mais uma vez concluo que regras e limites na educação de uma criança é igual a segurança*.


* e já agora atrevo-me a dizer que há não há assim tantas regras... Mas um dia falamos sobre isso!

3 comentários:

  1. É mesmo isso. Farto-me de dizer isso aos pais. Vou partilhar. Beijinhos

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  2. Em muitos casos os pais têm medo de disciplinar e perder o amor dos filhos. Quando vamos entender esse medo muitos acabam relatando dificuldade de enfrentamento em outras situações da vida (com seu cônjuge, no trabalho, em situações de amizade, etc.). Muitas vezes aprender a colocar limites para o comportamento dos filhos significa também aprender a colocar limites para as outras pessoas com quem os pais se relacionam e não deixar que os outros façam consigo tudo que querem.

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