Random Acts of Kindness

2.5.12
H O M E L E S S 


Há coisas que eu pensava que aconteciam só nos filmes.

Na semana passada dei um salto a Inglaterra. Choveu o tempo todo, estava frio - entre os 3ºC e os 8ºC durante o dia. Um vento chato.

Num desses dias, parámos para tomar um café quente. Ao sairmos, ajudamos um rapaz a abrir a porta. Levava na mão um café (ou chá) quente e uma embrulho - talvez com uma sandes ou um bolo, não sei. 
Reparei que o rapaz sorriu para nós com uma simpatia e com uma doçura no olhar que há muito não via. Reparei, também, que havia uma serenidade e uma paz, naquela forma de olhar. Mas, alguns segundos depois, estava a pensar 'que vento chato, e se parasse de chover, não?'

E, mais uns metros à frente, voltamos a ver, de novo, o mesmo rapaz. Desta vez a agachar-se para dar aquele café e aquele embrulho a um sem-abrigo. Abrandei o passo e fiquei a olhar. Mas, mais do que entregar a comida, o rapaz sentou-se ao pé dele, tocou-lhe no braço e na mão e perguntou 'are you alright?' 

Wow...! Que estaladão que eu levei! Que lição!

Claro que, como toda a gente, eu já ajudei pessoas. Já fui de propósito a um supermercado para dar de comer a quem precisa, já dei um lanche a uns quantos putos na rua mas acho que nunca, mas nunca me abeirei daquela forma, muito menos a um sem abrigo. Ajudo com uma moeda e viro o olhar, a maior parte das vezes. 

E sabes o que é que aprendi? Que não quero mais fazer isto. A generosidade daquele rapaz, a gentileza, a bondade dele e o amor que ali vi foram uma espécie de soco no estômago. Senti-me pequena, muito pequena. Da próxima vez que der, vou olhar nos olhos e vou segredar qualquer coisa. Porque a verdade é que eu penso no que é que será a vida daquelas pessoas mas rapidamente fujo para não ver. E acho que é o que a maior parte de nós faz. Desculpando-se com o corre-corre. Desculpando-se que há muitos a mendigarem sem precisar (não me refiro a esses, certamente). E agora, mesmo que vá a correr, vou fazer um pouco diferente.

E sabes, gostava mesmo que tu, numa próxima vez, possas fazer igual.

3 comentários:

  1. Muitas (para não dizer a maioria) das pessoas ajuda se ficar bem na fotografia e se não afetar a sua vidinha. è uma pena as pessoas não sentirem o apelo do voluntariado, eu desde pequena que tenho preocupações com o proximo e há muitos anos que faço voluntariado, de uma coisa eu tenho a certeza: que recebo é sempre superior ao que dou. Nestes tempos que tanto se fala de crise económica eu costumo dizer que mais que crise económica o que se vive é uma crise de cidadania e de valores. Mas claro, para muitos, culpar os outros e o dinheiro é mais fácil: "Não ajudo porque não tenho dinheiro, não tenho tenho tempo para ajudar, porque que trabalhar para ganhar dinheiro...quando o que mais falta faz é uma palavra, um gesto, uma oportunidade."
    Bj

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  2. Tocou-me duma maneira particular. Não é que tenha sido a primeira vez que pensei nisso, naturalmente. Considero-me altruísta e muito atenta (às vezes até parece demais) às necessidades dos outros. Mas a verdade é essa - quando se trata de mendigos, para mim, é muito mais fácil virar a cara e rapidamente evitar esse confronto. É mesmo mais fácil mantermo-nos na nossa "vidinha" e deixar o outro com a sandes que antes era nossa. Da próxima vez que vir um sem abrigo vou-me lembrar deste post e vou ganhar coragem para agir e para fazer diferente. Obrigada pela partilha.
    Um beijinho

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  3. Que bom que despertaste para este pequeno grande detalhe!!É mesmo muito importante fazermos as coisas com verdadeira intenção e não só porque é politicamente correcto ou quem sabe para guardar um lugar no céu. Aquele a quem hoje dás pode dar-te amanhã e, por vezes os pequenos gestos não materiais são sem dúvida os que mais impacto têm. Como tal apoio totalmente esta tua partilha, não dêem sem olhar, sem sentir, sem trocar a partilha, não faz faz sentido se assim não for, não se multiplicará... Um mimo, um sorriso, uma simples palavra é muitas vezes o sol de um dia chuvoso para quem está sem luz. Boa querida ;)

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