Segunda-Feira#012 - Aha! Parenting

5.3.12
A Dra. Laura Markham é daquelas pessoas que me inspiram. Foi, de facto, extraordinária a conversa que tivemos sobre isto da educação.
Hoje fica a parte I, da entrevista.Hoje ficas a conhecê-la melhor. Na próxima semana vais conhecer aquilo que pode vir a mudar a tua vida enquanto educadora.
Boa leitura! E obrigada, Laura!




12 comentários:

  1. Podia dizer mil coisas acerca desta entrevista e, no geral, gosto desta forma de pensar e agir. Mas apenas uma coisa me preocupa nisto tudo: é a "obrigatoriedade" de sermos pais perfeitos, que nunca reagem com base nas suas próprias emoções, que não ralham mais do que devem porque nesse dia estão exaustos. O que eu acho que esta filosofia pode trazer a muita gente é um sentimento de culpa enorme, porque neste ou naquele dia não fomos exactamente aquilo que deveríamos ser! E eu concordo com praticamente tudo o que ela disse, mas acredito que na prática nem sempre seja possível, porque somos humanos e, os humanos tendem a errar!

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  2. Melancia - percebo exactamente o que queres dizer e, de facto, está muito bem visto, quando falas sobre a procura da perfeição - ela não existe e é diferente de família para família. Acredito que temos de ser naturais e levar as coisas com mais ligeireza, não fazendo grandes dramas.

    Para mim, o ensinamento maior da Laura tem mesmo a ver com este ponto: enquanto adultos, somos nós que somos mais capazes de gerir as nossas emoções e ansiedades e temos mesmo de o fazer. Sempre? Sempre que possível, digo eu. Já viste que se nós nem sempre conseguimos, o que dizer dos pequenos?
    Quando eu penso que tenho de me auto-gerir, de me regular, estou a buscar mais forças e mais alternativas para lidar com uma dada situação. A mim ajuda-me a manter a calma e ajuda-me a ajudar a minha filha, por exemplo.

    E depois há uma coisa que faço também: tenho momentos só meus, em que eu sou a pessoa mais importante do mundo. Queres um exemplo? Este fds fui sair com umas amigas e, a dada altura demos connosco a comentar 'oh pá, isto é libertador, sairmos só nós e a criançada ficar com os pais'. Claro que ontem estava exausta mas a minha alminha agradeceu :)

    Equilibro - será a palavra chave, em tudo!

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  3. Magda, se calhar sugeria que a melhor tradução para "attachment" seja vinculação. É a ligação no sentido psicológico. :)

    Em relação à entrevista, ainda que o trabalho da psicóloga tenha de ser entendido no referencial norte-americano (e na necessiade quase obsessiva que eles têm com as guidelines) o importante aqui não será a ideia de sermos pais perfeitos mas antes a reflexão necessária para percebermos se, enquanto educadores, recorremos sempre ao mesmo tipo de castigo/punição/forma de educar ou se, por outro lado, fazemos um esforço para evoluir e crescer nesse aspecto. Quero com isto dizer que, muitas vezes, somos rigidos na nossa forma de educar. Na forma, não no conteúdo! ;) E aqui chamo a atenção que rigidez não é o mesmo que autoritarismo. Ou seja, recorremos sempre aos mesmos métodos porque aprendemos assim e acreditamos que é assim ou esforçamo-nos por sair do quadrado e olhar, com olhos de ver, a criança que temos à nossa frente e os pais que somos? Usamos sempre a palmada inofensiva (que o é, não estou a partir do princípio que sejamos todos gente abusadora ;)) ou paramos para pensar, na maioria das vezes, se a palmada vai resolver, de facto, alguma coisa?

    Como em tudo, se uma criança contar pelos dedos das duas mãos as vezes em que levou uma palmada no rabo, tenho a certeza de que não lhe fará mossa. Por outro lado, se olhar para trás e vir que esse for sempre o método usado, se calhar a mossa será maior. Além disto, é importante perceber em que altura do processo recorremos à palmada. É ao primeiro aviso ou ao 15º? É porque estamos cansados (e aqui, definitivamente, devemos ter a responsabilidade de parar e sair, respirar fundo e contar até dez nem que este timeout surja após nos termos excedido uma vez e termos percebido que exageramos) ou porque já avisamos 50 vezes, de formas diferentes, e uma chapadinha na mão ou no rabiosque até podem surtir algum efeito?

    A verdade é que ninguém fica traumatizado ou incapaz para a vida se levar umas palmadas em criança. Desde que essa não seja a única forma, o recurso sempre à mão.

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    1. Sim, Ana, vinculação é uma excelente palavra, muito obrigada pela tradução e ajuda. Amei o teu comentário, cheio de bom senso e sensibilidade. Mais uma vez, muito obrigada!

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  4. Tal como disse,em nada discordo da Dra laura, mas assusta-me que se possa ficar demasiado preocupado com a perfeição e que, alguns pais, fiquem demasiado absorvidos por esta ideia (totalmente verdadeira, atenção) de que qualquer acto nosso tem um impacto imenso no desenvolvimento daquelas pequenas criaturas!
    Enfim, ás tantas são só dramas meus, que tenho dias de ser pessoa dada a sentimentos de culpa!
    mas aguardo o resto da entrevista!
    É verdade, acho aquele esclarecimento bem útil, apesar de, naturalmente quando se ouve spanking pensa-se logo em cena demasiado violenta!

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    1. Yep, eu também pensava que era espancar, dar uma surra... vá lá!
      Se os pais ficarem absorvidos por esta ideia, se os protegerem ao ponto de tudo permitirem, de tudo fazerem por eles, se não permitirem que fiquem frustrados, que tenham tudo o que desejam, então serão pais permissivos, digo eu. E estarmos em pontos opostos não ºe bom para ninguém.
      Obrigada por ajudares ao debate! Adoro!

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  5. Adorei quando ela diz ¨Faria tudo para protegê-lo, incluindo mudar a mim própria¨. Essa é a maior dificuldade, mudar a nós mesmas. E também é difícil ter compaixão por nós mesmas, quando erramos, o que acontece com frequência. Mas se a gente não se perdoa, não dá o bom exemplo de quem perdoa :)

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    1. Sim, Marília! Mais do que a questão da palmada, ou não, creio que o primeiro passo é mesmo sermos e querermos ser melhores. E perdoarmo-nos, no sentido em que não somos, de facto, perfeitas, permitindo.nos fazer coisas, sentir coisas, e actuar sem sentimentos de culpa. Wow, fazer isso tudo deve ser mesmo maravilhoso!

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  6. Espectáculo que inspiracäo!!
    Acho que ela descreve mesmo o que sinto quando me controlo e conto até 10 para näo desatar aos berros e ás palmadas ao meu filho quando ele está com birras enormes. Näo quero que ele seja 100% obediente e perfeito e se afaste cada vez mais de mim por eu ser a mäo implacável que näo admite pisar o risco.
    Quando fala da adolescencia e dos filhos que näo lhe mentem e näo querem desapontá-la ganho esperanca para continuar nesta linha de educacäo que venho tentado seguir.

    Outra coisa muito importante é o ambiente em que se vive, se a palmada é normal e até muito encorajada pelas familias e amigos que nos rodeiam, entäo uma pessoa tem muita tendencia a fazê-lo. Torna-se banal e normal....

    Eu vivo na Dinamarca em que é proibido e altamente respeitado näo bater nas criancas. NUNCA vi algum adulto a bater numa crianca e já assisti às maiores birras em publico e os pais simplesmente pegam no miudo e levam-no dali para fora até ele acalmar. Levantam a voz e agarram-no com forca mas näo há palmadas.
    Por isso decidi para mim própria que näo vou bater no meu filho e comecou por ser deviso a essa condenacäo social, e depois quanto mais leio sobre o assunto mais sentido faz.

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    1. Olá Maffa, adorava que nos contasses mais sobre a tua experiência e como é que sao as coisas aí! Obrigada pelo teu comentário!

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  7. "Näo quero que ele seja 100% obediente e perfeito e se afaste cada vez mais de mim por eu ser a mäo implacável que näo admite pisar o risco. "

    Tão, tão importante a consciência disto. Mesmo, mesmo importante. :)))

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  8. Parabéns Magda! Estas entrevistas são fantásticas! Esta especialmente, porque muito mais do que nos dizer que não se deve isto ou aquilo, vai mais longe! Diz-nos o que nunca ouvimos, o que nunca pensamos em situações de crise com os nossos filhos!O porquê! Ficou bem registado para mim, e bem gravado o que quero que os meus filhos sejam. Como quero que sejam. Já tinha pensado há muito tempo, quando eram pequenos, tão pequenos que não tinha que lidar com manhas e "testes"; em que tudo parecia simples. Mas eles poêm-nos sempre à prova! E é tão bom encontrar aqui um óptimo update do que queremos para a nossa família! Obrigada:)

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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