do dormir - Lido na blogosfera #2

6.12.11

Eu podia ter escrito isto...

{sobre a importância de as crianças saberem encontrar o sono, sozinhas}

{boa leitura para quem está à espera ou tem um bébé pequenino- a imprimir e a guardar para mais tarde lembrar}

"Quantas amigas ou famíliares se viam literalmente a braços com um pequeno grande problema: os seus filhos não dormiam sem que fosse nos seus colos. O que de início era amoroso e empowering, porque sim, dá uma satisfação enorme sentir que não há outro sítio no mundo onde o nosso filho durma tão bem como nos nossos braços, rapidamente tornava-se num pesadelo. Porque há que ocupar os braços com outras coisas e o bebé cresce, dobra, triplica o peso, perde o sono, ganha faculdades e elas cada vez se viam mais enredadas nesse ritual, nesse abraço que pesava cada vez mais. É um abraço que nasceu com o amor, mas que por amor tinha de acabar.
Porque eu não queria nada que isso nos acontecesse, fui (e continuo) o mais rigorosa possível. O Pedro quase nunca dormiu nos meus braços. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que isso aconteceu e aconteceu apenas porque não tínhamos um berço por perto. Quem pensa que eu sou um monstro insensível, desengane-se, foi preciso alguma força de vontade e muito amor para o fazer. E quem pensa que tenho a mania de me arrogar um ser iluminado e superior, desengane-se, li e aprendi sobre isto no sítio do costume, tive uma epifania e adoptei como mantra "Não adormecerás o teu filho ao colo". É simples. Foi complicado. Ou seja, o que há a fazer é simples, chegar lá é difícil, mas uma vez lá chegada, e chega-se!, a vida torna-se mais simples e todos ficam contentes.
Desde o primeiro dia de vida, eu embalava o Pedro nos meus braços, mas assim que o via adormecer, o que nos primeiros dias era quase instantâneo, punha-o na caminha. Ele tinha de fechar os olhinhos pela última vez percebendo que estava no berço, que era lá que se adormecia, que era bom adormecer lá e que o sítio onde acordasse seria o mesmo onde tivesse adormecido. Claro que não me apetecia nada pousá-lo, deixar de o ter nos meus braços, não o ver a dormir no meu colo. Era só deixar-me estar, ele nem sequer pesava, eu estava lá só para ele... Mas tinha bastante presente que deixá-lo dormir no meu colo não só me iria sair caro no futuro, como seria egoísmo meu e prejudicial ao Pedro. Porque eu sou crescida, eu sou a adulta, eu sou a mãe, e podia ter a vista inebriada pela paixão pelo meu menino, mas ele era uma pequena pessoa acabada de nascer, que não sabia nada do que é isso de dormir sozinho. E nesta vida, se há coisa solitária, é dormir. Ninguém o pode fazer por nós. Eu tenho insónias desde pequena, eu valorizo muito o sono e o adormecer. E eu não podia fazer uma coisa destas ao meu filho. Não podia dar-lhe um colo quentinho, o meu cheirinho bom e depois pousá-lo na caminha lisa e fria, não seria justo! Pior, não podia dar-lhe a ideia de que dormir é no colinho bom da mãe e depois trocar-lhe as voltas e convencê-lo de que afinal não é suposto dormir-se assim, mas sim sozinho. Habituado ao bem bom, quem quer dormir sozinho?
Quem pensar que é exagero, desengane-se. Quem pensar que devemos aproveitar enquanto eles são mini mini para os adormecer nos braços, facilmente encontra outras formas e ocasiões para mimar o seu bebé e mimar-se a si mesma. Quem defender que o bebé quer, que o bebé gosta, que é ele que manda, give me a break. A mãe sou eu, a responsabilidade é minha e se alguém tem de ser capaz, tem de querer, tem de fazer por isso, infelizmente terei de ser sempre eu, por muito pouco que me apeteça.
Os bebés são pessoas pequenas, mas quase totalmente indefesas e inconscientes, que não só merecem o nosso respeito (e ninguém quer faltar ao respeito a uma pessoa fazendo deliberadamente algo que sabe que a pode prejudicar para nosso próprio prazer), mas sobretudo precisam da nossa ajuda para viver desde o primeiro dia e quanto mais pequenos são, mais ajuda precisam. E ninguém nasce a saber dormir, muito pelo contrário! Somos nós que temos de os ensinar e é uma lição que leva muito tempo a aprender. Concordo com quem diz que quem se lembrou da expressão "dorme como um bebé" seguramente nunca teve um filho, porque os bebés dormem mal e cabe a nós ensiná-los a dormir bem, desde o primeiro dia.
O Pedro passou o primeiro mês a dormir, era só pousá-lo no bercinho e vê-lo fechar os olhos, acariciando a testa. Assim que passou o primeiro mês, acordou para a vida e começou a ser muito mais difícil mantê-lo a dormir de dia mais de meia hora seguida e muitas, tantas vezes, adomecê-lo. Não foi fácil, de cada vez que me lembro, fico logo cansada...


Mas essas aventuras têm de ficar para outra altura, ainda não tenho pachorra para encarar as contas desse rosário..."
                                       As Maravilhas da Maternidade

1 comentário:

  1. Tal e qual como aconteceu com o meu 1.º filho, só adormecia no meu colo...o que eu sofri para que ele passasse a dormir sozinho. Agora com 4 anos já adormece sozinho...mas deu luta:-) Agora com o meu 2.º filho, que nasceu à 3 semanas estou a deita-lo no berço para adormecer, mas já vai reclamando. Mas não irei cometer o mesmo erro.

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