“Lord, Please, let me get what I want” – The Smiths

21.11.11

É tão bonito quando, num abrir e fechar de olhos mudamos de ideias, não é?

 Hoje de tarde fui ao shopping.

Banda Sonora do sítio? Natalícia, pois claro! Ele era a Celine Dion, os Wham!, a Mariah Carrey... e pensei: já??? Enfeites por todo o lado, descontos de Natal em quase tudo que era vitrine. E pensei: a loucura!
E depois cheguei a casa e vi 2 pequenos “réclames” e pensei: afinal até gosto do Natal. Eu gosto do meu Natal, daquilo que faço com esta festa.

 Há umas semanas atrás, dei por mim a relembrar a forma como os miúdos abrem as prendas. Na verdade, eles não abrem prendas, eles rasgam papeis. E depois dizem, com ar muito feliz “Mais!”. E todos rimos e dizemos “ai não, que não gosta bem de prendas! Gosta e bem!!!”

 Ai, como eu gostava do meu Natal. Na minha altura era um bocadinho diferente. Sei bem que recebia várias prendas mas a verdade é que lembro-me que o Natal dos meus 11 anos foi o Natal em que recebi um computador, o dos meus 7 anos foi aquele em que recebi uma Barbie (admito que, quer a Barbie, quer o computador vieram em idades desfazadas: uma tarde de mais, o outro – para aquela altura – cedo de mais), mas cada Natal teve uma prenda associada.

E, neste momento, quer-me parecer que não é bem assim. No final, os miúdos não sabem exactamente a prenda que lhes deu mais gozo receber e, no regresso à escola, o que conta mesmo é fazer-se o inventário do que cada um teve.

Então, lembrei-me que este ano podia pedir à família mais próxima uma ajuda. E que ajuda? Facilitarem-nos a tarefa de associar cada Natal a uma prenda e comprá-la em conjunto. Uma prenda boa, que a ajude a desenvolver uma série de competências e que seja “patrocinada” por todos. Assim, quando for maior, lembrar-se-á que naquele Natal, recebeu tal coisa e que pode aprender e dar asas à criatividade. Enfim, ter uma lembrança positiva associada, mais do que “eu no Natal recebia muitas prendas”. E isso pareceu-me uma ideia sensata. Assim, aprende a fazer escolhas, a ter um limite e a sonhar com as outras, o que também é bom.

 Mas depois o pai, com a sua visão mais pragmática diz-me: “O Natal é a festa de quem dá, não de quem recebe...” E pronto, lá foi a minha teoria por água abaixo.

Pois é... Então em que é que ficamos?

Valerá a pena fazer este tipo de pedido, sobretudo numa época em que devemos relembrar o que é a poupança, a dar valor ao que se tem? Ou será um pedido destes demasiado egoísta ao ponto de tirar o prazer a quem dá e quer dar o que escolheu dar?

 E depois vi este “réclame”. E fiquei mesmo com vontade de ficar caladinha...


By the way, a música é um remake dos Smiths que podes encontrar no original, aqui.

Se souberes quem canta esta versão, diz-me.

4 comentários:

  1. :) depois do que escreveste, eu sabia que ias gostar :)

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  2. Adorei! Simplesmente delicioso... O espírito é mesmo esse... O de todos nós! Falta-nos a coragem para o demonstrar...
    Parabéns!
    Continue sempre a "alertar-nos" para factos que estão à nossa frente e que continuamos a teimar em não ver, ou desviarmo-nos deles.
    Um muito obrigada.
    Beijinhos

    ResponderEliminar

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