5 DICAS INFALÍVEIS PARA TRABALHARES A AUTONOMIA DOS TEUS FILHOS ANTES DO REGRESSO ÀS AULAS

26.8.16



As semanas que antecedem o regresso às aulas podem ser ótimas oportunidades para ajudarmos os nossos filhos a tornarem-se mais autónomos, independentes e responsáveis. 
Por isso, e nas próximas linhas vais encontrar as 5 melhores dicas para trabalhar estes 3 pontos. Anda daí!


1. MOSTRA-LHE COMO SE FAZ!

Veste tu uma t-shirt tua. Mostra-lhe como o fazes, descrevendo. ‘Primeiro passas a cabeça. Sabes onde está a etiqueta? Está aqui! E sabes de que lado é que ela fica? Isso tudo! E agora o que falta? As mangas. Vamos lá! Agora é a tua vez’. Descreve o que o vês fazer, não precisas de elogiar. E quanto mais descreves, mais ele escuta o que é que tem de fazer - ’Agora olhamos para o quê? Oh, já te esqueceste? Sim, a etiqueta!’.Agora vamos despir. Eu faço primeiro e depois imitas.’

E para ficar ainda mais perfeito, invertam os papeis. Como?

Diz-lhe: Agora tu és a mãe e eu sou o Miguel. Vá, mãe, ensinas-me a vestir e a despir a t-shirt?

Engana-te e pede-lhe ajuda. Ele sentir-se-á útil e crescido!

Depois da tshirt podes passar para as calças e para os vestidos fáceis de vestir! Espreita estas calças e estes vestidos - ajuda imenso na tarefa!

Repetir, repetir, repetir com entusiasmo e alegria!

2. SIMPLIFICA A TAREFA.
Se queremos que os miúdos se entusiasmem e se sintam capazes, convém escolhermos tarefas adaptadas às suas idades. Não compliques - pelo contrário, procura tornar a tarefa simples. Aos 3 anos uma criança já se pode vestir e despir sozinha. Aos 2 anos já se consegue calçar mas não consegue dar o laço nos atacadores. Por isso não lhe dês sapatilhas com atacadores. Eu gosto destas da Vertbaudet, com velcro - que ajudam a distinguir o direito do esquerdo - e destas botas agora para o inverno. Para além de serem mais seguras - porque não vão correr o risco de tropeçarem - podem chegar a casa e tirar o calçado sozinhos. Na hora de sair não estarão dependentes dos pais para se calçarem.
E o mesmo digo quando se tratam das calças - fáceis de vestir e de apertar - e das camisolas, camisas e blusões com botões descomplicados. Sou fã do conceito que a Vertbaudet tem vindo a desenvolver desde há uns anos e que se calhar já conheces, o Consigo Sozinho - e que está tão bem pensado!

Quando é que lhes podes dar calçado com atacadores? A partir dos 4 anos [motrocidade fina] já podes começar a ensinar a dar o laço - assim ela saberá como fazer e não terá de pedir ajuda. Autonomia, independência, responsabilidade é o que estás a trabalhar neste simples aspeto.

3. DEIXA-O ESCOLHER E INTERVIR NAS SITUAÇÕES.

É verdade que há situações em que os miúdos escolhem de véspera o que vão vestir e no dia a seguir já mudaram de ideias. Acredito que isto aconteça num grande número de casas. Mas isso não invalida que preparem, em conjunto, a roupa para o dia a seguir, a mochila e até o lanche, se for possível. Já viste estes conjuntos que simplificam imenso a vida? Também são da coleção Consigo Sozinho!

Mais!, podes perfeitamente ensiná-lo a dobrar a roupinha e ajudá-lo a arrumar as peças nas gavetas.
Naturalmente que há dias em que corre bem, outros em que ele não está nem aí.

Mas vou contar-te o segredo para isto resultar:


Primeiro precisas de tirar satisfação do ato de ensinar - e não propriamente do ato de arrumar. Depois, precisas mesmo de repetir com o teu filho a tarefa. Várias vezes. Depois, é muito importante que saibas lidar com a tua frustração porque as coisas não vão ficar tão perfeitas como se tivesses sido tu a fazer. Mas, ao fim de pouco tempo, e se continuares a acompanhar, o teu pequeno vai sentir-se útil, autónomo e vai ter prazer em zelar pelas coisas deles. Insiste nisto. O segredo está no prazer que tu vais ter em ensinar. Vai por mim, muda tudo!

4. TABELA DAS TAREFAS.
Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve uma manhã complicada com os fllhos. Temos todos! Por isso é que a tabela das tarefas ajuda, e muito, no corre-corre da manhã. Esta é uma tabela feita pelo teu filho [tu podes ajudar] mas quem a faz é ele. Porquê? Porque assim é que se vai apropriar dela e vai ter vontade de cumprir com o que lá está e que até foi sugerido por ele. Podes ler mais sobre a tabela neste link e também no meu livro Berra-me Baixo.

5. ACOMPANHA, CORRIGE E ENCORAJA!
Uma criança só consegue tornar-se autónoma, explorar e intervir no seu ambiente quando se sente segura. É interessante, não é? Ora, para se sentir segura e confiante, precisa de ti e do teu acompanhamento. Então ensina e, como te disse no ponto 3, tens de ter prazer nestes ensinamentos.

Imagina que o teu filho deixou cair um pouco de água do copo dele no chão. Não precisas de te chatear, são coisas que acontecem. Mas, em vez de ires limpar, chama por ele, entrega-lhe uma esponja ou pano e pede para ele o fazer. Acompanha, corrige e encoraja.São estas pequenas coisas que fazem toda a diferença e trabalham estes 3 pontos tão importantes.

E sim, logo a partir dos 2 anos podemos ajudá-los a conquistar estas competências. Sabes o que é mais incrível? É que eles querem aprender! Estão desejosos de fazê-lo. Na verdade, a única coisa que uma criança não pode fazer é não aprender - ela nasceu para isso.

Aproveita estes dias antes do regresso às aulas para, com mais tempo, foco e paciência, trabalhares a autonomia dos teus filhos. Garanto-te que vai valer a pena!

Fica atenta - nos próximos dias vou escrever sobre como preparar a rentrée escolar, uma possível mudança de escola, sobre a entrada na pré-adolescência [para aqueles que vão agora para o ciclo!), sobre o bullying, como entusiasmar os miudos para o estudo, o papel dos professores e muito, muito mais. Tudo aqui!


FORMAÇÃO PARA PROFISSIONAIS: EDUCAÇÃO E PARENTALIDADE POSITIVA - CRIANÇAS 0 AOS 6 ANOS

25.8.16

Fonte da fotografia: Pinterest

Trabalha com crianças e/ou famílias e gostaria de melhorar as suas competências nas áreas da educação e parentalidade?
Em parceria com o DBarriga, vamos realizar uma ação sobre Educação e Parentalidade Positivas para Profissionais. 

Data: 9 de Setembro, Sexta-Feira
Local: DBarriga - Porto - Rua Sarmento Beires 339 | 4250-449 Porto
Horário: 10h00 - 13h00 | 14h00 - 17h00 [6 horas]
Para quem? Professores, médicos, enfermeiros, terapeutas, auxiliares de ação educativa, assistentes sociais e todos os interessados.
Como me posso inscrever? Diretamente neste link, através do email geral@dbarriga.pt ou ligando diretamente para o DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945

Nesta ação de dia inteiro serão abordados os fundamentos da Educação e Parentalidade Positivas*, os princípios da Linguagem não-violenta e as principais ferramentas da Inteligência Emocional.

Trabalharemos as 3 competências da criança:

- Eu sou capaz [autonomia]

- Eu tenho valor [auto-estima]

- As minhas escolhas têm impacto [responsabilização]

Simultaneamente, aprenderemos a

- Criar um ambiente seguro para a criança, nomeadamente em termos afectivos; 
- Melhor a comunicação verbal e não verbal dos profissionais;
- Gerir as emoções e fazer autorregulação.

Ação dedicada a profissionais com exemplos e exercícios práticos sobre o dia-a-dia.

*Modelo da Escola da Parentalidade e Educação Positivas | Magda Gomes Dias

6 horas de formação prática, repleta de exercícios e que irão transformar a relação educador/criança, criando um ambiente seguro e motivador para ambos




Conteúdos | Tags


Linguagem não-violenta e positiva
Inteligência Emocional
Educação Positiva
Parentalidade Positiva
Resiliência
Autoridade
Auto-Estima
Características da criança dos 0 aos 6 anos
Necessidades das crianças
Entender a base dos comportamentos desadequados
Como gerir conflitos




Valor: 60,00€

Preços especiais para inscrições de grupo. Ver aqui.

Email de contato: geral@dbarriga.pt 
Morada: Rua Sarmento Beires 339 4250-449 Porto
Telefone DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945

Sabes lidar com o 'Tu não mandas em mim?'

25.8.16
E um belo dia, ao pedires ao teu filho para ajudar a pôr a mesa ele sai-se com um 'Tu não mandas em mim!' e tu pensas 'Ui, o que é isto? Como é que isto aconteceu?'.

E, de repente pode acontecer muita coisa: podem argumentar, podes dizer-lhe 'tu não me falas assim' ao que ele pode muito bem responder 'e tu também não' e, sem darmos por ela entrámos num diálogo de surdos impossível!


Como tu és o adulto e como provavelmente és tu que estás a ler este post, convido-te a experimentares o seguinte [experimenta! Não acredites nas minhas palavras - vai lá e faz acontecer isto e depois diz-me como foi].


1. Lembra-te que quando este tipo de 'respostas' acontecem, o vosso vínculo está fragilizado. Pode não ser muito ou até pode ser - tu saberás.
2. Procura escutar para além das palavras: o que é que ele está mesmo a dizer-te? Que não gosta de pôr a mesa, que gostava que a mesa estivesse pronta todos os dias ou que não gosta que lhe estejam sempre a mandar fazer coisas?
3. Procura também lembrar-te se tens criado oportunidades para fazerem coisas que lhe dão prazer ou se fazem sempre e apenas as obrigações.
4.Mas ele não me pode responder assim, dizes tu... mas a verdade é que responde... e eu gostava que te lembrasses que não é possível lidares com este tipo de 'provocações' através de medidas autoritárias e sim através da criação de um vínculo importante.


Questão que naturalmente te vais colocar agora:
-E castigar ou ralhar não posso, esta agora!?


Claro que podes! Ninguém te impede disso. O que é que vai acontecer quando ralhas e castigas?
Pois, isso tudo: na altura até pode resultar mas muito em breve terás uma situação muito semelhante e, aos poucos, os castigos e os ralhetes deixam mesmo de funcionar. E, aos pouquinhos, e quase sem te dares por isso, o vosso vínculo foi ficando cada vez mais pequeno, mais pequeno...e este tipo de respostas mais e mais frequentes... e aposto que não é isso que queres, pois não?


Faz agora uma pausa e coloca-te do lado do teu filho. Muito possivelmente, para estar a dizer-te uma coisa destas é porque está desconectado de ti, sente-se pouco compreendido e não sabe lidar com os seus sentimentos. É possível que sinta que ninguém o escuta mesmo quando tu achas que sim... O que é que ele precisa? Que páres e o escutes, de facto! E não precisará sempre de lições.




Há pais que me dizem algumas vezes que se sentam com os filhos com calma e falam com eles com calma e lhes dizem as coisas.. com calma. Asseguram-me que os filhos prometem que vão fazer diferente da próxima vez mas a verdade é que a próxima vez é logo ali, ao virar da esquina e é o 'vira o disco e toca o mesmo'. Porquê?
Porque aquilo que fizeram foi falarem com muita paciência e com calma MAS falharam no mais importante: não escutaram! É escutar, não é opinar! É fazer perguntas, ser curioso, sem adicionar.
Queres experimentar? Não é simples, garanto que não é MAS vale todo o teu tempo e toda a pena!!
Não acredites no que te digo - experimenta!!! Posso estar apenas a querer passar-te uma rasteira e só saberás se experimentares. Depois vem cá contar como foi!


Eu sei que estás sempre a ler isto e é porque é apenas a mais pura das verdades.
As crianças soletram AMOR = TEMPO

Este tipo de resposta também pode ser uma forma de repetição/imitação. E se tiveres essa impressão podes simplesmente perguntar-lhe 'De que forma? Tenho a impressão que te sentiste agredido/magoado. Explicas-me melhor?'

Finalmente, é mesmo verdade que não podemos forçar ninguém a fazer aquilo que queremos se a pessoa assim o desejou. É mesmo verdade! Mas quando o vínculo é bom, ela vai querer cooperar, em troco de nada, só porque tem boa-vontade connosco. Esta é a verdadeira varinha de condão da parentalidade!

Podes ler mais sobre estas atitudes desafiantes no meu livro Crianças Felizes e também no Berra-me Baixo que já vai na 3ª edição.

EDUCAÇÃO E PARENTALIDADE POSITIVAS PARA PROFISSIONAIS [CRIANÇAS DOS 0 AOS 6 ANOS]

24.8.16
Fonte da fotografia: Pinterest

Trabalha com crianças e/ou famílias e gostaria de melhorar as suas competências nas áreas da educação e parentalidade?
Em parceria com o DBarriga, vamos realizar uma ação sobre Educação e Parentalidade Positivas para Profissionais. 

Data: 9 de Setembro, Sexta-Feira
Local: DBarriga - Porto - Rua Sarmento Beires 339 | 4250-449 Porto
Horário: 10h00 - 13h00 | 14h00 - 17h00 [6 horas]
Para quem? Professores, médicos, enfermeiros, terapeutas, auxiliares de ação educativa, assistentes sociais e todos os interessados.
Como me posso inscrever? Diretamente neste link, através do email geral@dbarriga.pt ou ligando diretamente para o DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945

Nesta ação de dia inteiro serão abordados os fundamentos da Educação e Parentalidade Positivas*, os princípios da Linguagem não-violenta e as principais ferramentas da Inteligência Emocional.

Trabalharemos as 3 competências da criança:

- Eu sou capaz [autonomia]

- Eu tenho valor [auto-estima]

- As minhas escolhas têm impacto [responsabilização]

Simultaneamente, aprenderemos a

- Criar um ambiente seguro para a criança, nomeadamente em termos afectivos; 
- Melhor a comunicação verbal e não verbal dos profissionais;
- Gerir as emoções e fazer autorregulação.

Ação dedicada a profissionais com exemplos e exercícios práticos sobre o dia-a-dia.

*Modelo da Escola da Parentalidade e Educação Positivas | Magda Gomes Dias

6 horas de formação prática, repleta de exercícios e que irão transformar a relação educador/criança, criando um ambiente seguro e motivador para ambos




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Linguagem não-violenta e positiva
Inteligência Emocional
Educação Positiva
Parentalidade Positiva
Resiliência
Autoridade
Auto-Estima
Características da criança dos 0 aos 6 anos
Necessidades das crianças
Entender a base dos comportamentos desadequados
Como gerir conflitos




Valor: 60,00€

Preços especiais para inscrições de grupo. Ver aqui.

Email de contato: geral@dbarriga.pt 
Morada: Rua Sarmento Beires 339 4250-449 Porto
Telefone DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945

Já sabes onde é que também podes encontrar o Berra-me Baixo autografado?

24.8.16


O Berra-me Baixo está na 3ª edição e a crítica tem sido absolutamente incrível!
Lançar este desafio no blogue, ter criado a newsletter foi mesmo das melhores ideias que tive. Mas o que me deu mesmo muita satisfação - e foi um desafio enorme - foi ter escrito o livro cheio de material novo e exclusivo!

Podes encontrar o novo livro aqui e aqui e também.

Se o quiseres autografado e com uma dedicatória, só precisas de me enviar um email.
E o mesmo é válido, naturalmente, para o Crianças Felizes!
info@parentalidadepositiva.com



MAIS PRÓXIMA DO TEU FILHO? 4 DICAS INFALÍVEIS!

22.8.16




Há alturas em que nos apetece desfazê-los com beijinhos. E depois há outras em que o desfazer não seria, com certeza, dessa forma.

Para uma ou outra circunstância, toma nota destas 4 dicas para ficares ainda mais próxima deles:

#1. Prepara-lhes um aperitivo
Pode ser algo mais saudável como uns sticks de cenoura ou simplesmente uma pequena tigela com batatas fritas e um sumo de laranja. Sim, estou mesmo a falar a sério!
E se puderes, sentem-se os dois a olhar para a janela, com uma música ambiente.
Vais ver como é tão bom!

#2. Beijinho à eskimo
Esta ganha sempre, não ganha?

#3. Conta uma anedota ou uma curiosidade que faça rir ou ainda, brinca com a situação!
Usar o sentido de humor, sobretudo naqueles momentos mais tensos é meio caminho andado para tirar a tensão das situações.

#4. Um abraço
No momento ou depois, um abraço compõe as situações e reforça as que já são fortes. Desde que seja honesto e querido pelas duas partes.

Falar sobre coisas difíceis

18.8.16


Infelizmente a vida tem-nos feito falar de coisas sobre as quais não desejaríamos falar nunca.
Em Novembro do ano passado escrevi como é que podemos falar às crianças sobre os atentados. E voltei a escrever sobre o assunto em Julho, por causa de Nice.

Neste link podes ler sobre como falar sobre a morte, com os teus filhos.
Há umas semanas atrás foram os incêndios na Madeira e no Continente.
Daqui a umas semanas pode ser a chegada de um irmão, pode ser o divórcio dos pais ou a mãe que ficou sem emprego.
É fundamental que possamos falar sobre todas estas coisas com os nossos filhos. Sem medos e sem pensarmos que ao não falarmos eles não vão tomar consciência nem compreenderão do valor real das coisas.
Os miúdos percebem as coisas, sentem que algo está errado ou menos bem. Os miúdos vêem as notícias, ouvem a rádio e escutam os comentários, mesmo quando achamos que estão distraídos.
E eles percebem as coisas à maneira deles e é aí que tens de entrar e atuar.
É determinante que possas ajudar a criança a colocar alguma ordem e lógica na informação que recolhe. E é por isso que deves falar sobre os acontecimentos para que a criança não interprete essa informação com os seus filtros e com a sua fantasia ou medos.
Por outro lado, quando falamos sobre questões delicadas estamos a passar pelo processo de racionalização o que nos deixará mais serenos.
Finalmente, não digas que é um disparate aquilo que ele sente porque ninguém escolhe o que sente (podemos gerir mas isso não é escolher).
Acolhe os sentimentos: 'estás com medo, não estás, meu amor? É normal ter medo, não faz mal. A mãe está aqui.'
Ao acolheres os sentimentos, isso é meio caminho andado para parte das questões ficarem resolvidas.


Como é que explicas isto?

16.8.16
Estivemos na Madeira em Maio e fizemos amigos para a vida. É comum fazermos facetimes, enviarmos mensagens uns aos outros. E por isso é natural que os miúdos tenham ficado muito preocupados quando perceberam que havia fogos na Madeira. E no Continente. E então perguntaram-me:

-Mas porque é que há fogo na Madeira? 
-Porque alguém lançou fogo, filha.
-Mas porque é que alguém faz uma coisa dessas?

Pára tudo.

Como é que explicas uma coisas destas a uma criança?
Como é que explicas que alguém possa matar outra pessoa?
Como é que explicas que haja pessoas que batem noutras?
Como é que explicas que possam deixar os quartos de banho públicos sujos?
Como é que explicas que se minta?
Como é que explicas que se roube?

Como?

Em parte, quando começas a explicar, é como se houvesse uma razão para que se possa fazer o que não é suposto fazer-se. É quase como se houvesse uma permissão. Que não há. E sim, as explicações são necessárias mas ainda assim sinto que é um paradoxo muito grande.




Relação dos filhos com pais emigrados | A Praça | RTP 19 de Julho 2016

22.7.16
Há cada vez mais famílias que estão separadas porque um dos membros do casal está fora do país a trabalhar.

Neste programa, a Isabel e o Nuno explicam-nos como é que se aguentam as saudades e como é que se mantém a relação amorosa em alta e a proximidade com a filha... todos os dias!

É um testemunho fantástico e inspirador que vale a pena ver.

Link aqui

#15 - Guerras entre irmãos | Canal Youtube Mum's the boss

8.7.16

Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

Alínea a) do nr.1 do artigo 152 do nosso código penal

7.7.16


A lei é muito clara.
A alínea a) do nr.1 do artigo 152 do nosso código penal proíbe, desde 2007, a palmada a uma criança. Lhe infligir maus tratos físicos ou psíquicos ou a tratar cruelmente

A minha questão é:

1)Se visses alguém a bater numa criança, no supermercado ou na rua, o que farias?

Não precisas de responder - pensa nisso.

2) Se visses alguém a ir ter com uma mãe ou pai a darem uns açoites numa criança, pararias? Defenderias quem?

Novamente, não precisas de responder - pensa só nisso.

Mães e pais de Adolescentes e futuros adolescentes - esta revista é para vocês!!

7.7.16


Com um texto meu sobre como comunicar com esta malta que nos pode parecer [à primeira vista] muito estranha!

Parabéns por mais uma revista extraordinária!!!! É um orgulho fazer parte desta equipa!

Leitura obrigatória para quem tem filhos nesta fase :)

The Early Catastrophe - devemos, ou não, explicar, falar e argumentar com os nossos filhos?

7.7.16


Muitas vezes oiço dizer que não devemos explicar as coisas às crianças. Que muitas explicações mostram uma parte fraca nossa. Que porque somos os pais ou os educadores não temos de nos colocar nessa posição. Que devemos dizer as coisas como elas são e a seguir dar a ordem e a criança deve executar.
Estamos, creio eu, a confundir 'convencer a criança de fazer algo' com 'firmeza, justiça e certeza'. Quando eu sei o que quero e sei que o que peço é justo, tudo o que peço sai de forma clara e eu sei que não tenho de convencer os meus filhos porque vai ter de ser assim. E é essa certeza que ajuda o meu filho. E sim, a diferença pode apenas estar no tom e na intenção com que faço as coisas.

Por outro lado, e num estudo absolutamente incrível, chamado the 'Early Catastrophe' constatou-se que há um 'gap' [fosso] de 30 milhões de palavras entre as crianças cujos pais falam e explicam as coisas e aqueles em que apenas se dá ordens. Este estudo foi conduzido num grupo de crianças entre os 7 meses e os 3 anos. Sim, 3 anos! O que mostra que, muitas vezes, quando a criança ainda está a chegar à escola, já pode ter nela uma vantagem ou enorme desvantagem.
Crianças cujos pais falam mais e explicam são crianças que constroem frases mais articuladas, explicadas e argumentadas. Não é impressionante, portanto, verificar que estas crianças têm um vocabulário e um estilo comunicacional muito perto do dos seus pais.
Afinal de contas, aos 3 anos as crianças já têm tanto dentro de si. Esta é a prova que, quanto mais interagirmos com as crianças, desde pequenas [repara que o estudo começa aos 7 meses!!!] mais hipóteses elas têm de assimilar e refinar a sua arquitectura mental. O cérebro - e as neurociências provam-no - constrói-se também com o ambiente.
Seria mesmo uma catástrofe não comunicarmos mais, não explicarmos mais, não nos ligarmos mais.

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